Pacto coloca alfabetização como prioridade nacional
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
A habilidade de ler e escrever vai muito além da codificação e decodificação de letras e palavras. Perceber a função social do texto pela contextualização e saber utilizá-lo adequadamente faz parte da proposta do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, em vigor a partir deste ano, que prevê a alfabetização até os 8 anos para os alunos da rede pública - o que envolve atualmente quase 8 milhões de alunos do primeiro ao terceiro ano do fundamental. Uma avaliação de desempenho será implantada para os alunos no final do terceiro ano e premiações para escolas e professores também estão previstas como incentivo.
A iniciativa contempla formação continuada para professores alfabetizadores da escola pública (360 mil), fornecimento de material didático (60 milhões de livros didáticos) e, de certa forma, uma sistematização da metodologia para alfabetizar tanto na área de português quanto na de matemática. No Paraná, segundo dados do Ministério da Educação, todos os 399 municípios firmaram convênio com o Pacto. Em âmbito nacional, dos 5.570 municípios existentes, 5.393 já firmaram esse compromisso.
"No caso de Londrina, já na nossa primeira reunião de formação, ficamos felizes que o que eles estão propondo a gente já está fazendo há alguns anos e o nosso foco já era alfabetizar até o segundo ano, um ano antes do previsto pelo Pacto. A proposta não foi uma grande novidade, mas é a oportunidade de nos atualizarmos na parte teórica e trocarmos experiências práticas, já que os professores têm encontros semanais em grupos de estudo", afirma Rosana Daliner Acosta Marchese, assessora de alfabetização da Secretaria Municipal de Educação e também coordenadora do Pacto em Londrina.
Neste primeiro ano, os professores alfabetizadores terão que cumprir 120 horas de curso, ministrado por orientadores de estudo, que estão passando por curso de formação mensal na Universidade Estadual de Maringá (UEM), com carga horária de 200 horas. O polo em que Londrina está inserida engloba 174 cidades, desse total Londrina é a que possui o maior número de professores inscritos no curso de formação: 610 (23 são professores ouvintes).
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Universidade Federal do Parana (UFPR) também integram os centros responsáveis pela formação dos orientadores na Região Sul. Os professores alfabetizadores recebem bolsa de R$ 200, enquanto os orientadores de R$ 700 para participarem da formação. No ano que vem, nova rodada de cursos será mais enfocada na disciplina de matemática.
"Uma das principais vantagens é que o Pacto forçou uma partilha maior entre os professores e isso acaba beneficiando a todos, já que dá mais condições para o professor ficar mais motivado a melhorar sua aula", observa Rosana. A diretora da Escola Municipal Ignêz Corso Andreazza, Marcia Rosana Barros, reforça essa ideia: "No começo os professores ficaram um pouco resistentes, até porque teriam que participar dos encontros semanais, mas agora estão bem animados com o que estão vendo e satisfeitos por sentirem que estão no caminho certo, já que a nossa metodologia está em harmonia com o que o Ministério da Educação está propondo".
A professora Marcilene Regina Colafatti é uma das orientadores de estudo, responsável por repassar o conteúdo recebido em curso para mais 23 professores da rede. Na sua sala os alunos do segundo ano já estão sendo beneficiados com algumas práticas sugeridas pelo Pacto. "Muita coisa eu já fazia, mas com o Pacto estou tendo a oportunidade de me aprofundar nos conteúdos. O interessante é que podemos colocar em prática as ideias e trocar com outros professores a sua eficiência em diferentes realidades", comenta. Periodicamente, ela utiliza os jogos didáticos fornecidos pelo Pacto, como o jogo "Nomes escondidos", em que os alunos devem identificar diferentes formação de palavras com as figuras correspondentes.
Já na sala de aula do terceiro ano da professora Camila Manhani, os alunos sentados ao chão parecem se divertir enquanto aprendem a formar palavras com o alfabeto móvel em madeira. "Essa atividade faz parte de um projeto que envolveu a leitura do livro 'A Zebrinha Preocupada'. Além de criarmos o glossário com o vocabulário do livro, já trabalhamos a releitura da obra, o reconto e organização da ordem cronológica do texto", pontua. "O Pacto tem me ajudado muito, ainda mais no caso dos alunos de inclusão, em que precisamos estar preparados para atender diferentes demandas", argumenta.
Com os alunos do primeiro ano, o trabalho de base é ainda mais importante para o desenvolvimento pleno das fases posteriores. Concentradas, as crianças faziam com atenção as atividades propostas pela professora Marcely Borici tendo como tema o Sítio do Picapau Amarelo. Em silêncio, os que terminavam se encaminhavam para o fundo da sala para brincar com alguns jogos e brinquedos disponibilizados pela professora. "O Pacto só veio acrescentar a minha prática e fiquei muito feliz que estejamos no caminho certo. O processo de alfabetização deve ser lúdico para não traumatizar a criança", conclui.


