É verdade que, entre os fãs de Tim Maia, só se fala no inédito ''Racional 3''. Afinal, os álbuns do período místico do cantor são, para muitos, os melhores de toda a sua carreira. Mas é injusto ignorar o restante da coleção da Abril, que compõe o básico da discografia do mestre do soul e do funk produzidos no Brasil.
A começar pelos dois primeiros discos, homônimos, que, por si só, já oferecem uma série de clássicos do pop nacional. ''Tim Maia 1970'' tem ''Coroné Antônio Bento'', ''Cristina'', ''Eu Amo Você'', ''Primavera'' e ''Azul da Cor do Mar''. ''Tim Maia 1971'' traz ''A Festa do Santo Reis'', ''Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)'', ''Não Vou Ficar'' e ''Você''.
Saltando no tempo, outros bons destaques do pacote são os CDs ''Tim Maia Disco Club'' (1978) e ''Nuvens'' (1982). O primeiro, como indica o título, mostra o cantor em pleno flerte com a discoteca, em temas altamente dançantes como ''A fim de voltar'', ''Acenda o Farol'' e o hino do ócio ''Sossego''. Sem dúvida, um dos principais títulos da obra do síndico.
Já ''Nuvens'', de 1982, não conta com nenhum grande hit -e talvez por isso seja subestimado até mesmo pelos maiores fãs. Mas vale por pérolas perdidas do quilate de ''Ar Puro'', ''Ninguém Gosta de se Sentir Só'' e ''Apesar dos Poucos Anos''. Não à toa, está entre os álbuns preferidos do sobrinho Ed Motta.
Menos interessante, porém bem retratada na coleção, a fase final, da década de 90, traz pelo menos um registro de peso: ''Tim Maia ao Vivo'' (1992), que levantou a carreira do artista e o apresentou às novas gerações. Aqui, ele dá uma aula de suingue e promove um grande baile com seus hits obrigatórios. O CD essencial para os não iniciados. (OG)

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