Paciência e 'Cadeiras' de Mirna de Oliveira
Elisa Marilia Carneiro
A artista plástica Mirna de Oliveira está com exposição individual no Café Curaçao. Com o tema Cadeiras, Mirna conta a história da sua própria vida. A cadeira, para mim, é um símbolo de paciência.
Telas grandes com 1,70 x 1,20 metro, em tons terra, com certa preferência pelos amarelos e azuis, são pintadas em técnica mista. Dependendo do momento, Mirna usa tinta acrílica, bastão oleoso, massa acrílica, colagem e grafite.
O meu lado professora substitui o quadro-negro pelas telas. Escrevo textos em homenagens ao meu pai, mãe e histórinas do cotidiano. Minha veia poética descobre situações de espera pela janela e, se o momento é apropriado, levo isso para os quadros, observa.
Mirna foi professora de Sociologia durante 25 anos na Universidade Federal do Paraná. Aos oito anos escreveu numa cadeirinha esquecida no sótão de casa. Depois disso, escrever e desenhar em qualquer superfície ou lugar tornou-se um hábito.
Durante a vida, Mirna foi percebendo que a cadeira e o ato de esperar transformaram-se num treinamento de paciência. Se a gente quer alcançar alguma coisa tem de ter paciência e saber esperar. Não podemos desistir.
Uma viagem à Europa fez a professora despertar para as artes plásticas. Voltei resolvida a desenvolver esse lado, que havia ficado adormecido, sem motivação. Depois disso, não parei mais. Mirna estudou no atelier de Guido Viaro, mas eu tinha medo dele, ele era muito brabo, e no Museu Alfredo Andersen.
Exposição Cadeiras, de Mirna de Oliveira, no Café Curaçao, Rua Senador Xavier da Silva, 210, até 16 de julho, a partir das 20h30.





