Ozzy Osbourne, no dia 5 de julho, nos preparou para o que aconteceria alguns dias depois, 22 de julho de 2025. Não tem como fugir do clichê: o Príncipe das Trevas, o lendário vocalista do Black Sabbath, a banda que inventou o heavy metal, nos deixou.

No dia 5 de julho, um Ozzy combalido pelo Mal de Parkinson e tão amoroso com seus fãs e amigos subiu no palco montado no estádio do Aston Villa, o time do coração do roqueiro, em Birmingham (Inglaterra). Ele avisou que estava se despedindo. Não imaginávamos que seria tão rápido.

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Eu amo Ozzy desde uma época em que fazíamos muito esforço para amar os nossos ídolos. Imagine, meu caro leitor da geração Z, quando não existia Google, MTV e Instagram. Você poderia até teclar o nome do seu cantor favorito na máquina de escrever e dar enter. Nenhuma foto ou vídeo aparecia na sua frente.

Aqui em Londrina, normalmente, a gente pegava um ônibus, ia até o centro da cidade, comprava uma revista Bizz, passava na Biblioteca Pública para bisbilhotar edições recentes da Folha de S. Paulo, Estadão, revistas nacionais ou ia à sessão de discos das Lojas Americanas para namorar as capas dos discos.

FESTINHAS REGADAS À MÚSICA

Eu conheci Ozzy nos anos 1978/79, nas famosas “brincadeiras”, que se constituíam basicamente de festinhas regadas à música, dancinhas, salgadinhos, refrigerante e alguma pegação.

- Sábado tem Brincadeira na casa do Fulano!

Uns levavam comida, outros bebidas e todos levavam discos. Começava às sete da noite e nossos pais apareciam para nos buscar lá pelas onze.

Geralmente os meninos mais velhos apareciam com os discos do Black Sabbath, disfarçados no meio de outros LPs, como se estivessem contrabandeando para dentro da festa um baseado ou uma garrafa de vodca.

- Fulano trouxe o Black Sabbath!

Tocar a banda do Príncipe das Trevas era, provavelmente, a maior diabrura que fazíamos naquelas noites de sábado. Até que um pai ou uma mãe viesse reclamar do barulho, a gente dançava ao som dos rapazes ingleses.

COMO NÃO AMAR ESSA BANDA?

Operários da cidade de Birmingham, fãs dos Beatles, eles encontraram o espírito da banda depois de irem ao cinema e perceberem que os jovens da época, assim como eles, gostavam de histórias de terror, de sentir medo. O nome do filme, Black Sabbath. O ator principal, Boris Karloff. Como não amar essa banda?

E como não amar aquele vocalista lindo, de olhos meio verdes, meio avelãs e de boca carnuda? O cabelo castanho-claro, longo era jogado para frente e para trás à medida que Ozzy balançava freneticamente a cabeça ao som da música. Será que foi ele quem inventou o headbanging?

Ozzy era um gênio e um dos caras mais bacanas que o rock construiu em toda a sua história. Os vídeos de entrevistas dele com os filhos pequenos são muito engraçados. Assim como são maravilhosas as cenas dele, em casa, com os humanos e os bichos que aparecem no reality “The Osbournes”.

O roqueiro potencializou ao máximo a expressão vida louca, tanto que foi demitido do Sabbath em decorrência dos problemas provocados pela dependência química que o faziam esquecer gravações de discos e shows (dizem). Em 1980, ele seguiu em uma bem-sucedida carreira solo. Depois, tudo é história.

OZZY, O DOGUINHO

Eu agradeço aos amigos que me mandaram mensagens em solidariedade à morte de um dos meus maiores amores musicais. Eu gostei porque parece que eu sou da família.

Nunca assisti a um show do Black Sabbath e nem da fase solo do Ozzy. Todas as vezes que ele veio ao Brasil ou eu não tinha dinheiro para vê-lo ou eu tinha dinheiro, mas estava tendo um dia duro trabalhando como um cachorro (opa, essa é outra banda que eu amo).

Em casa, eu tenho um Ozzy. Ozzy Oswaldo, bulldog inglês, fez 10 anos no dia 17 de maio. É meu grande amigo e uma homenagem ao músico que no decorrer da vida também amou os bulldogs.

Ozzy (Osbourne), siga em paz e vai alegrar o céu, meu querido Príncipe das Trevas!

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