Em sua primeira edição no Brasil, o festival de música Lollapalooza - realizado no último fim de semana em São Paulo, conseguiu o feito de trazer grandes bandas internacionais para as pistas do Jockey Club, mas pecou feio na organização. Sob um sol escaldante, o primeiro impacto deste Lolla verde e amarelo foi o tamanho e a duração de suas filas: seja para passar pelos portões, ir ao banheiro, comprar bebidas ou itens da loja oficial, a estrutura não chegava nem perto da suficiente para atender, com qualidade, as 75 mil pessoas que compareceram ao primeiro dia do evento.
Os fãs também precisavam ficar bastante atentos à agenda do Festival: nos palcos, as atrações eram praticamente simultâneas, e o deslocamento entre um local e outro era impraticável. Toda vez que um show do palco 2 (''Butantã'') terminava, acontecia um verdadeiro engarrafamento humano em direção ao palco 1 (''Cidade Jardim''), e vice-versa. Os palcos 3, 4 e 5 (''Alternativo'', ''Perry'' e ''Kidzpalooza'') eram os mais tranquilos - mas também os que tinham as atrações mais direcionadas.
Depois do veterano Marcelo Nova abrir a programação de sábado às 14h empolgando a -ainda pequena - plateia, às 15h, uma aglomeração maior seguiu até o palco Butantã para acompanhar a banda Cage The Elephant, primeiro destaque internacional do Festival. O som, baixo, decepcionou: as falhas técnicas só foram compensadas, em parte, pela empolgação do vocalista Matthew Shultz, que se arremessou em dois 'moshs' quase suicidas em direção à plateia, chegando a desmaiar por alguns segundos. ''Vocês são loucos. Nunca fui tão violentado em toda minha vida'', declarou, com um sorriso sarcástico.
Acabado o show do palco 2, a multidão se encaminhou para acompanhar O Rappa executar hit atrás de hit no palco principal. Nesse ponto, por volta das 16h, muita gente se acotovelava por um lugar ao sol.
Enquanto isso, no palco principal o show sonolento do TV on The Radio dava um balde de água fria no público, cada vez mais espremido para conferir o Foo Fighters. Os esforços do vocalista Tunde Adebimpe em cativar a plateia foram em vão, e a competente mescla de elementos jazz e hip-hop talvez fosse melhor recebida em outro palco do Festival.
Mas toda penitência do público estava para ser, finalmente, recompensada. A sequência de incômodos proporcionados pela estrutura do Lollapalooza foi instantaneamente apagada no exato momento em que o Foo Fighters subiu ao palco.

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