Ouvindo os sons da mata e das águas
Todas as trilhas são iguais. Nenhuma delas se repete. Não se iluda; um bom guia é imprescindível para quem se propõe a fazer turismo ecológico. Sem ele o risco de se perder é grande e não aproveitar o passeio é fato concreto. Cerca de 150 metros depois de iniciada a caminhada, uma bifurcação da trilha nos leva a cachoeira do Cruzeiro.
Esqueça as Cataratas do Iguaçu, Niagara Falls e outras vistas consideradas entre as grandes maravilhas do mundo. Seja humilde e abra a mente. Fica fácil e quase automático se desprender das pretensões diante da simplicidade e pureza dos pequenos espetáculos que a natureza produz em quantidade e infinita beleza.
Com pouco mais de 20 metros de altura, a cachoeira chamada de Chicão I é larga, suave e harmoniosa. Desce barulhenta em degraus de rocha irregulares quebrando as águas volumosas do ribeirão. E se acaba no leito do rio onde prossegue sem pressa.
Entrar nas águas frias e tentar escalar as rochas em meio a correnteza é uma diversão a parte. Mesmo quando as manifestações da natureza parecem pequenas não devemos esquecer que somos ainda menores em força. Escalar e brincar nesta cachoeira é possível, mas só deve ser feito quando o guia autorizar e respeitando os limites da segurança.
O mais difícil é vencer a tentação de deixar-se ficar indefinidamente ouvindo os sons da mata e observando o movimento das águas. Toda a preocupação com a minha conta no banco já estava esquecida. É beleza demais. Acabaram-se as dúvidas. Não importava o que viesse depois, já tinha valido a pena.
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