Jards Macalé
  A ausência de Gal Costa é sentida. Afinal, foi ela quem deu voz a algumas das mais emblemáticas canções de Jards Macalé e Waly Salomão – ‘‘Vapor Barato’’ e ‘‘Mal Secreto’’, por exemplo. Mesmo assim, ‘‘Real Grandeza’’ (Gravadora Biscoito Fino) faz jus ao título. É um disco em que Jards Macalé agrega 11 obras feitas com o saudoso Salomão (1944-2003) em mais de trinta anos de amizade e cumplicidade estética.‘‘Real Grandeza’’ redimensiona a obra de ambos nas vozes de convidados especiais. O violão arisco de Adriana Calcanhotto sobrepõe-se à gravação original de ‘‘Anjo Exterminado’’, feita por Maria Bethânia em 1970. Aliás, coube à interprete baiana a delicada e inédita ‘‘Berceuse Crioulle’’. Luiz Melodia auto-reverencia-se em ‘‘Negra Melodia’’. Frejat, um pouco deslocado, faz as vezes de Gal Costa em ‘‘Mal Secreto’’. Jards Macalé, com seu estilo interpretativo característico, faz bonito principalmente em ‘‘Olho de Lince’’, outra inédita, em que Waly declama trechos do poema que deu base à canção. ‘‘Real Grandeza’’ é para ser apreciado com mentes, olhos e corações abertos. (PPPP)


Nadinho da Ilha
  Veterano do samba, Nadinho da Ilha, 71 anos, tem prestígio mas não atingiu o reconhecimento merecido. Grande nome do samba sincopado, o intéprete está de volta num disco que pelo título dá para sacar o alto teor de qualidade: ‘‘Meu Amigo Geraldo Pereira’’ (gravadora Rob Digital). Tributo, pois. Em 14 faixas, Nadinho solta o vozeirão em clássicos deixados pelo lendário e importante amigo, um de seus incentivadores. Geraldo Pereira (1918-1955) é revisitado com maestria num disco produzido por Henrique Cazes, bamba do choro. O humor prevalece em faixas como ‘‘Cabritada malsucedida’’ e ‘‘Chegou a Bonitona’’ ou mesmo na antológica ‘‘Acertei no Milhar’’. O canto sinuoso e seguro de Nadinho traz brilho novo a clássicos como ‘‘Escurinho’’ e ‘‘Escurinha’’. Faixa preciosa: ‘‘Liberta meu coração’’. Tudo no disco de Nadinho foi feito com muito esmero. Por isso é de se refletir o que escreveu Sérgio Cabral no encarte: ‘‘Toda vez que vejo e/ou ouço Nadinho da Ilha cantar fico com uma sensação dupla: a de que estou diante de um artista maravilhoso e a de lamentar que o Brasil poderia ser bem melhor se soubesse colocar no devido lugar os seus melhore talentos’’. Pois é... (PPP)

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