Wilmar Klein
De Curitiba
Em 1930, a ‘‘Pequena Notável’’ foi contratada para atuar em ‘‘Degraus da Vida’’, que seria dirigido por Lourival Agra. Como o filme não chegou a ser rodado, Carmen teve que esperar mais dois anos para fazer o seu début na tela, o que aconteceu no documentário de média-metragem ‘‘Carnaval Cantado de 1932 no Rio’’. (Detalhe: o nome da canção interpretada por CM é ‘‘Estreou no Cine’’. Muito adequado.) Vieram depois:
- ‘‘A Voz do Carnaval’’ (1933), semidocumentário que misturava cenas reais, gravadas ao vivo, com uma história de Rei Momo (que fugia do trono para assistir ao carnaval do Rio). Na direção, Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro. Joracy Camargo assinou o argumento. Primeiro filme sonoro da Cinédia, chegou a ser exibido em Paris em 1936 (segundo algumas fontes, com grande êxito).
-‘‘Alô, Alô Brasil’’!’’ (1935), de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Revista musical onde Carmen comparece à frente de grandes nomes do rádio como Dircinha Batista, César Ladeira, Francisco Alves, Mário Reis, Custódio Mesquita, Almirante, Ary Barroso, entre outros. Segundo alguns críticos da época, o filme era tão bem-feito que até parecia filme argentino!
-‘‘Estudantes’’ (1935), de Wallace Downey. É o único filme brasileiro de Carmen em que ela interpreta um papel, o da ‘‘pequena do rádio, toda sex-appeal, que se deixa enamorar pelos estudantes apaixonados por seus encantos e pelas canções que interpreta com toda a sua brejeirice’’ (revista ‘‘Cinearte’’, de 15/6/1935). No elenco, os ‘‘estudantes’’ Mesquitinha, Barbosa Júnior e Mário Reis.
-‘‘Alô, Alô, Carnaval !’’ (1936), de Adhemar Gonzaga. Dois autores procuram um empresário para oferecer-lhe uma revista musical chamada ‘‘Banana da Terra’’. O empresário, a princípio, recusa a oferta, pois estava esperando uma ‘‘atração francesa’’. Como a tal atração falha ... Carmen canta ‘‘Querido Adão’’ e, em dueto com Aurora Miranda, ‘‘Cantores do Rádio’’.
-‘‘Banana da Terra’’ (1939), de João de Barro. A fictícia revista do filme anterior empresta seu título a esta revista, novamente com Aurora Miranda, Dircinha Batista e Oscarito. Carmen interpreta ‘‘Pirolito’’ (junto com Almirante) e um dos seus maiores sucessos, ‘‘O Que É que a Baiana Tem’’.
-‘‘Laranja da China’’ (realizado em 1939 e lançado em janeiro de 1940). Ruy Costa assina a direção, o argumento e o roteiro. Músicas de Ari Barroso, Benedito Lacerda, Dorival Caymmi, João de Barros, entre outros. A participação da ‘‘Pequena Notável’’ consiste, na verdade, em cena extraída de ‘‘Banana da Terra’’.
Na terra do ‘‘Tio Sam’’, além dos filmes programados pelo Telecine 5, Carmen Miranda apareceu em ‘‘Quatro Moças Num Jeep’’ (‘‘Four Jills in a Jeep’’), de William A. Seiter; ‘‘Serenata Boêmia’’, (‘‘Greenwich Village’’), de Walter Lang; ‘‘Alegria, Rapazes !’’, (‘‘Something for the Boys’’), de L. Seiler - O’Shea - todos os três filmes realizados em 1944 -; ‘‘Sonhos de Estrela’’ (‘‘Doll Face’’, 1945), de I. Seiler e - encerrando o contrato que a ‘‘brazilian bombshell’’ tinha com a Fox - ‘‘Se Eu Fosse Feliz’’, (‘‘If I’m Lucky’’, 1946), novamente dirigidp por Seiler. Em 1947, Carmen fez na Unioeted Artists ‘‘Copacabana’’ (idem), de Alfred E. Green. Na Metro, atuou em ‘‘O Príncipe Encantado’’(’’ A Date With Judy’’, 1948), de Richard Thorpe e ‘‘Romance Carioca’’ (‘‘Nancy Goes to Rio’’, 1950), de Robert Z. Leonard, com Jane Powell e Ann Sothern. Por último, na Paramount, apareceu em ‘‘Morrendo de Medo’’ (‘‘Scared Stiff, 1953), dirigido por George Marshall.
Quando em agosto de 1955 Carmen Miranda sofreu o colapso que a matou, estava gravando um programa em vídeo-tape para a televisão. Dífícil dizer como seria a continuidade de sua carreira, se tivesse sobrevivido. O certo é que vender bananas e ‘‘Chica Chica Booms’’ para os americanos durante 15 anos já estava de bom tamanho.

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