Dani Valente carrega o sorriso no rosto. Com um bom humor característico e sempre pronta para rir de si mesma, a atriz vê com bons olhos sua participação no controverso "Tomara que Caia". No formato original da Globo, duas equipes se enfrentam em um projeto que mistura atuação, improviso, interatividade e game. "É muita coisa junto. Não dá para ser loura burra", diz, aos risos. Apesar de ter sua carreira pautada em cima de personagens cômicos, a atriz garante que participar da produção é uma tarefa desafiadora. "Já tenho uma experiência, mas nunca estive em um programa que reunisse tudo isso. O improviso, por si só, já desestabiliza. Estar ao vivo também é uma pressão gigante", afirma.
O programa conta com um roteiro diferente a cada domingo. Assim, os dois times têm a mesma história para contar e se revezam no palco influenciados pelas "trolladas", brincadeiras propostas pelos adversários e pela plateia. Para Dani, ter a segurança de estar representando um personagem é um facilitar na hora do jogo. "No improviso não tem muito personagem. É mais a nossa cara lá. Aqui é diferente. Estou protegida pela história", explica.
Ao lado de Fabiana Karla, Heloísa Périssé, Priscila Fantin, Eri Johnson, Marcelo Serrado e Ricardo Tozzi, a atriz acredita que a entrada da Cia Barbixas de Humor – formada por Daniel Nascimento, Anderson Bizzocchi e Elídio Sanna – durante a cena acaba ajudando a atuação dos times. "Eles têm muita experiência nisso, então acabam contracenando com a gente e levantando várias bolas", comemora.
Por outro lado, a falta de um apresentador acaba sendo um grande dificultador no trabalho do elenco. "Temos de lembrar do texto, das 'trolladas', de explicar a dinâmica do jogo...", enumera, dizendo que também é preciso estar sempre atenta aos companheiros de cena. "Tem de entrar na onda do outro, ver o que estão propondo. É um jogo para se jogar junto", explica.
"Tomara que Caia" marca o reencontro de Dani com a tevê aberta depois de quatro anos – seu último trabalho na Globo foi na série "Batendo Ponto", em 2011. Nesse tempo, ela aproveitou para ampliar seu espectro e sair das rotulações propostas pela tevê aberta. "É chato, mas não me incomodo. Tevê tem disso, usa muito estereótipo. Se dá certo para um tipo de personagem, você vai ser sempre chamada para fazer ele", avalia.
Contratada pelo Multishow desde 2013, ela protagonizou o já finalizado "De Volta Pra Pista" e agora está em "Trair e Coçar é Só Começar", que estreia a segunda temporada no segundo semestre. "A tevê fechada foi um divisor de águas para mim. Tenho muito mais liberdade, tanto de atuação como de exposição de ideias. E, o melhor, posso até falar palavrão!", conta, bem-humorada.
Emprestada pelo Multishow para gravar o "Tomara que Caia", Dani ainda tem compromissos com o canal a cabo. Ela é uma das roteiristas da nova temporada de "Vai Que Cola", humorístico que tem previsão de estreia para setembro. Apesar de estar mergulhando no universo do roteiro, escrever para personagens não é uma novidade para ela. Quando entrou para o "Zorra Total", no início dos anos 2000, a atriz levou o texto da personagem Efigênia, que acabou se tornando fixa no programa. "A experiência que eu tinha como escritora era só de mostrar minhas ideias. Até porque Jorge Amado não escreveu para mim", diverte-se. Dividida entre a atuação e a escrita, Dani acha que o caminho natural será conciliar as profissões e nunca optar por uma delas. "Se parar de atuar, vou ter de reaprender a viver. Comecei muito cedo e minha vida toda foi em cima dos palcos", diz, orgulhosa.

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