Existe um hiato entre a aprovação de um projeto na lei de incentivo cultural e a captação de recursos. É assim que alguns produtores de Londrina enxergam a Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.
O projeto ''Grupo Franco Brasil'', idealizado por Elizabeth Dei Ricardi, diretora da Aliança Francesa de Londrina e também diretora pedagógica do projeto, foi aprovado em novembro de 2004. Entre suas propostas, aulas de francês e execução dos processos de criação teatral com alguns internos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Ano passado, a peça bilíngue ''O Ser que Vive O Sonho de uma Realidade como Utopia'' foi apresentada pelos detentos na unidade carcerária como espetáculo integrante do Festival Internacional de Teatro de Londrina (Filo).
O ponto crítico dessa história está justamente na verba que, até o momento, não foi arrecadada. ''Fico me perguntando e também à sociedade londrinense os reais motivos dessa dificuldade; não sei se os empresários não gostariam de se envolver muito com esse tipo de projeto em penitenciária. Não tenho respostas ainda'', refletiu a diretora.
A Lei Rouanet (nº 8.313/91) autoriza que os projetos aprovados recebam patrocínios e doações de empresas e pessoas, que poderão abater, ainda que parcialmente, os benefícios concedidos do Imposto de Renda devido.
Caminhando além dos entraves reais, Elizabeth dá prosseguimento às atividades na penitenciária, que também incluem aulas de filosofia. ''Mesmo não tendo conseguido o dinheiro, continuamos. Estamos trabalhando com a terceira peça bilíngue, que também será apresentada no Filo desse ano. É complicado abandonar esses detentos, quando eles me pedem para continuar. Existe uma melhora concreta no comportamento desses homens'', ponderou.(L.O.)

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