Outro ghost na vida de Whoopi
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terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Agência Estado 
O ator Billy Cristal volta a ser mestre de cerimônias do Oscar, a maior festa do cinema americano, depois da recusa de Whoopi Goldberg em continuar à frente do agito. Já provei ser boa o suficiente, explica a atriz, duas vezes hostess do maior evento da TV mundial e premiada, em 1990, como coadjuvante em Ghost-Do Outro Lado da Vida. A decisão, no entanto, não afasta Whoopi da cerimônia do próximo ano, marcada para 24 de março, e que será exibida no Brasil pela rede Globo e canal a cabo Telecine.
Whoopi está sendo cotada para preencher uma das cinco vagas da categoria de melhor atriz, pelo papel no filme Ghosts of Mississippi (que estréia este mês nos Estados Unidos e ainda sem título em português), em que contracena com Alec Baldwin e James Woods. O filme, dirigido por Rob Reiner, acompanha a batalha judicial após o assassinato do líder dos direitos civis Meggar Evers (Whoopi é a viúva), por um policial (Woods), nos auge dos conflitos raciais da década de 60. Há muito tempo não fazia um drama, explica a atriz à Agência Estado.
Ela também está em dois outros filmes. Bogus, fábula com Gérard Depardieu, atualmente em cartaz nos EUA e com estréia, no Brasil, prevista para 31 de janeiro de 1997 e a comédia The Associate. O filme é uma espécie de Tootsie feminino, com a atriz no papel de uma corretora da bolsa que, para negociar com um seleto time de investidores, se passa por homem branco, usando uma prótese que a faz parecer Marlon Brando num rabo-de-cavalo.
Ficava quatro horas na sala de maquiagem, foi terrível, revela Whoopi, atualmente namorando o ator Frank Langella. A atriz recebeu a Agência Estado num cinco-estrelas de Manhattan para a seguinte entrevista.
Agência Estado Parece que vivemos um festival Whoopi Goldberg este ano. Quatro filmes, hostess do Oscar, do aniversário de Bill Clinton e de uma noite beneficente para arrecadar dinheiro para os doentes de Aids. Não lhe preocupa ficar over?
Whoopi Goldberg Eu faço três, quatro filmes, todo ano. Nada é preparado para coincidir com uma espécie de o momento Whoopi na constelação. Rodei Bogus há dois anos. Não tenho controle sobre o produto que faço e, muitas vezes, ele é lançado quase simultaneamente com outro. Não gosto de estar debaixo dos holofotes, mas não posso fazer nada sobre isso.
Agência Estado Nos quatro filmes deste ano, você interpreta personagens tão diferentes como uma técnica de basquetebol, um tipo de Wall Street, uma solteirona convicta e a mulher de um líder dos direitos humanos. Qual é o critério para a seleção de roteiros?
Whoopi Depende. No caso de Bogus, Norman (Jewison, o diretor) me chamou e disse que tinha algo para mim. Respondi a ele: Não precisa continuar, já estou nessa. Ele vôou até minha casa, no Arizona, para me mostrar o roteiro. Eu disse que não precisava, mas ele insistiu. Nesse exemplo, não há como negar. Norman é um gênio, fez filmes fabulosos como A História de um Soldado, Rollerball, os Gladiadores do Futuro e Jesus Cristo Superstar. Como alguma coisa pode dar errado? Em alguns casos, o diretor tem de ir a meu escritório, me apresentar suas cartas para me convencer sobre o roteiro e porque ele me tem especificamente em mente para aquele papel.
Agência Estado Já ocorreu o contrário? De você ter de implorar pelo papel?
Whoopi Eu fui ao escritório de Jerry Zucker e disse a ele: Escute aqui, eu sou a melhor pessoa para fazer Ghost; vamos fazer um teste agora? Deu certo.
Agência Estado Como foi trabalhar com Gérard Depardieu em Bogus?
Whoopi Muito engraçado. Ele é minha versão francesa: irônico, satírico. Gérard é muito divertido.
Agência Estado Em The Associate você interpreta uma mulher que tenta provar que Wall Street não é só para homens. Pertencendo a vários grupos contra a discriminação da mulher como você avalia a discriminação profissional?
Whoopi Mulheres são banidas de Wall Street. Só preenchem a vaga de secretárias. Isso é estúpido. Nós temos o mesmo tino comercial que os homens, senão melhor. The Associate é uma resposta a essa baboseira.
Agência Estado Como lida com os fracassos?
Whoopi Lamento, mas só por um dia. É triste ver que ótimos filmes como Boys on the Side (Somente Elas) e Uma História Americana falharam na bilheteria. Mas isso faz parte do processo.
Agência Estado Que personagem falta ainda fazer no cinema?
Whoopi Uma pessoa terrivelmente diabólica. Um tipo (Anthony) Hopkins como em O Silêncio dos Inocentes. Esse é um dos grandes personagens contemporâneos do cinema. Hopkins faz um ser tão diabólico e ao mesmo tempo tão malvado que conseguiu baixar a guarda do público acostumado com tantos personagens caricatos. Eu, como mulher, seria facilmente seduzida por um tipo desses. Só não o deixaria me morder.
Agência Estado Por que você recusou o convite para apresentar a festa do Oscar de 97?
Whoopi Em 94, chamaram David Letterman e depois eu li nos jornais que ele estava no meu lugar porque eu estava muito ocupada. Não foi um grande Oscar e eles me chamaram para fazer o seguinte no lugar dele, como um favor muito especial. Aceitei esse convite como o último. Não há mais nada para eu fazer. Não é preciso lembrar o público que sou boa. Eles sabem. Parece uma resposta egocêntrica, mas eu não tenho de me desculpar por me sentir assim.


