Uma viagem sensorial pela língua pode encantar o aprendizado, como a porta aberta para o mundo pela internet. ''Qualquer tecnologia leva para o uso da língua escrita. Começou com Gutemberg. Antes dele, as línguas eram escritas à mão, dando um salto de Gutemberg para a internet, acelerando mais ainda a escrita. As crianças nunca escreveram tanto. Nós professores de Português precisamos introduzir alterações na prática didática. Os jovens escrevem tanto na internet porque não serão lidos por um professor de Português. Outro dia me pediram para analisar textos de vestibulandos. Notei que a escrita deles é terrivelmente chata. Porém, a gente conhece os jovens. Eles são bem-humorados, estão no auge da juventude. Então por que escrevem chato? Porque os professores de Português são chatos. A língua ultrapassa o legalismo. Estamos perdendo tempo com exageros e deixando de lado o que tem importância, que são questões de cultura, antropologia'', afirma Ataliba Teixeira de Castilho.
No passado, a língua portuguesa embarcou nas caravelas para conquistar o novo mundo, que se tornou ainda mais vasto para os exploradores contemporâneos que têm ao seu alcance o mouse ou o controle remoto.
''O papel da mídia nesse contexto não é de reprimir, mas está acontecendo algo esquisito. No momento em que a linguística procura desenvolver um ensino de libertação do aprendizado, o grande mídia está indo no sentido contrário na hora em que designa gramáticos de plantão para lhe assessorar e que ficam mencionando o que está errado ou certo. A mídia poderia fazer algo diferente para resolver os problemas que as pessoas têm e não aparecer com a regra pronta. Porém, quando alguém diz: 'Os meninos vai', logo surge um gramático para reprimir, tachando logo o autor da frase, o pai, a mãe e até a quarta geração dele de ignorante'', conclui Castilho.

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