Outras palavras da cantora
Começo
‘‘Eu fazia cursinho, em 89, pensando em prestar vestibular para jornalismo. Comecei a fazer aula de canto só para me divertir, para sair um pouco da tensão do cursinho. Só que com dois meses de aula, decidi que queria aquilo, que queria ser cantora. Anunciei em casa e todos me deram apoio. Larguei o cursinho e comecei a estudar música’.’
Repertório
‘‘Quando fiz o ‘Trampolim’, meu primeiro disco-solo, parti do zero. Escolhi canções que eu nunca tinha cantado. Já o ‘Voadeira’ veio indicando um caminho, porque algumas músicas eu já cantava desde os shows do primeiro disco. E ainda numa segunda etapa, logo que ganhei o Prêmio Visa, montei um espetáculo especial onde experimentei outras canções que eu pensava em gravar. Depois desse show, mais da metade do repertório do disco já estava experimentado. As últimas músicas escolhidas vieram a partir do que já tinha, vieram complementar aquelas para fazer um painel do trabalho’’.
Acompanhamento
‘‘Em meus dois discos, trabalhei na maioria das vezes com formações instrumentais pequenas. Isso dá mais liberdade para os músicos. Isso veio, acho, do meu trabalho com o Paulo Bellinatti com quem tenho um nível de relacionamento musical muito profundo. Trabalhamos juntos há uns seis ou sete anos. Acho que vem daí, dessa experiência, a vontade de criar e cantar com poucas pessoas, mas pessoas com personalidade musical forte. Tentamos inclusive gravar o ‘Voadeira’ da maneira mais ao vivo possível dentro do estúdio’’.
Mercado
‘‘Até pouco tempo atrás as pessoas em geral reconheciam artistas só como pessoas famosas que elas viam no programa do Faustão. Hoje em dia, elas já começam a perceber que existe um outro tipo produção, de pessoas que vivem de um mercado paralelo de música que não depende exclusivamente da divulgação do rádio e da TV, já que seu público é o que vai aos shows. As dificuldades existem, mas esse mercado paralelo está se fortalecendo. O que falta é uma estrutura de distribuição dos discos. As pessoas chegam a conhecer o trabalho, mas não conseguem encontrá-lo disponível nas lojas. Esse é nosso principal problema’’.
Headphone
‘‘Eu ouço de tudo. Cada vez que descubro uma coisa nova, mergulho nela. Eu sempre ouvi os ícones da MPB, desde pequena, o Chico Buarque, o Edu Lobo, a Gal Costa, a Elis Regina, o Milton Nascimento, eu ouvi muito todos eles. Depois descobri as cantoras americanas de jazz, e em seguida o Bob McFerrin. Mais tarde, ouvi bastante música portuguesa, fado e em especial a cantora de jazz Maria João. Ouvi muito também a cantora Cesaria Évora. Quando entrei na Orquestra Popular de Câmra, meu ouvido abriu para a música instrumental’’.
Estudos
‘‘Para quem faz música, as manhãs são em geral desocupadas. Isso permitiu que eu estudasse numa faculdade de música sem atrapalhar o trabalho. Depois que me formei, continei a ter aulas de canto. Um vez por ano, volto a elas’’.
Shows
‘‘Só vou fazer shows do disco a partir do ano 2000. Por enquanto, quero me dedicar apenas à divulgação. Combinei assim com a gravadora porque logo a gente teria que parar tudo por causa das festas e desse reveillon maluco que vai ser o único assunto do planeta’’.

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