O ex-empresário de Raul Seixas, Elton Frans, afirma que, se fosse contar tudo que testemunhou durante os dez anos em que esteve ao lado de Raul, a editora não aceitaria produzir seu livro. Apesar disso, Frans aceitou publicar parte dos fatos que presenciou entre 79 e 89. Em breve, a editora Irmãos Vitale lança ‘‘Raul Seixas - A História Que não Foi Contada’’, um livro de 124 páginas.
Se o autor não conta tudo, ao menos, como afirma o fundador do pioneiro e oficial fã-clube Raul Rock Clube, Sylvio Passos, vale ler a obra por causa de certos capítulos e histórias, em que Frans narra fatos inéditos e curiosos da convivência. O tema, sem dúvida, é muito atraente. E o prefácio funciona como uma carta-autorização da mãe do ídolo, Maria Eugênia Seixas.
Há cinco anos, Frans procurava uma editora que se arriscasse a editar seus depoimentos polêmicos sobre a experiência profissional e sua amizade com Raul. Segundo o autor, seu desejo de revelar acontecimentos daquela fase aumentou quando também aumentou o número de pessoas a recordar lembranças vividas com o grande ídolo do rock-n’-roll nacional. Dezessete livros foram lançados sobre o roqueiro baiano. ‘‘Após sua morte, muitas pessoas, além de recordarem histórias, disseram mentiras’’, informa. ‘‘A minha intenção é passar a limpo algumas dessas versões, que a mídia acabou publicando’’, diz ele, referindo-se à criação da música ‘‘Rock das Aranhas’’.
Proibido de falar sobre Kika Seixas, a quarta mulher de Raul, mãe da filha Vivian e hoje responsável pela obra do artista, Frans teve as atenções focadas em Marcelo Nova, o principal parceiro musical do poeta nos seus últimos dias de vida. No livro, o autor não se restringiu em atacar Nova. No entanto, estão implícitas a insatisfação e desconfiança de Frans em relação à atitude do músico.
No livro, ele conta que Raul ligava para sua casa dizendo que estava sendo explorado e que não aguentava mais fazer shows. De acordo com as lembranças de Frans e comentários de terceiros (ele não declara formalmente, mas deixa no ar que seriam de Dalva, a empregada de Raul), o poeta estava sendo obrigado a cumprir o contrato de 50 shows que havia feito com Nova. ‘‘Raul não estava muito bem, estava confuso, debilitado e não lia os contratos, pois era eu que fazia isso para ele’’, explica.
Sylvio Passos também trabalhou com o compositor na mesma época de Frans. ‘‘Raul, no fim da vida, precisava de alguém com pique para fazer shows com ele’’, lembra. ‘‘Um precisava do outro naquela fase e não teve nem contrato, foi pura camaradagem, coisa do rock-n’-roll.’’
Passos explica que, em 1989, quando Nova se uniu a Raul Seixas para fazer shows, pessoas como Frans, então empresário, foram deixadas de fora da parceria. ‘‘Fiquei muito bravo na época, pois também me afastei dele, mas o Nova tinha razão’’, acredita. ‘‘Acho que o Elton ficou ressentido e não aceita até hoje’’, disse. ‘‘Raul tinha muita personalidade para se submeter a qualquer tipo de arbitrariedade; ele foi fazer shows porque quis.’’ Para Passos, Raul estava mal e, infelizmente, insatisfeito com a vida, mas ‘‘não era idiota para se suicidar’’.
Frans começou a trabalhar com o roqueiro na divulgação do disco ‘‘Mata Virgem’’, de 1978. Além de Raul, ele trabalhou com o cineasta Zé do Caixão e o apresentador Chacrinha. No ano passado, Frans perdeu quase todo seu patrimônio, segundo ele, porque está muito difícil trabalhar com eventos. Hoje, mora num apartamento de dois cômodos na Avenida Rio Branco, em São Paulo, e tem planos de lançar um CD, pois também compõe.

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