Outra face
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terça-feira, 16 de julho de 2013
Anna Bittencourt<br>TV Press 
Em muitas produções dramatúrgicas, é comum ver atores repetindo o mesmo tipo de personagem que já interpretaram anteriormente. Um exemplo claro desse eterno "looping" é a fama de "pegador" que acompanha José Mayer em todos os seus trabalhos na tevê. Na contramão disso, existem atores que deram uma reviravolta e apareceram de uma forma completamente diferente da que já haviam se apresentado, surpreendendo o público e a eles mesmos.
Em "Amor à Vida", atual novela das nove, Mateus Solano dá o tom dessa transformação e foge do lugar-comum. Após algumas participações especiais, ele estreou na tevê em 2009, em "Maysa Quando Fala O Coração". Mas foi em "Viver a Vida" que consolidou sua fama de "bom moço", vivendo os gêmeos Miguel e Jorge na trama de Manoel Carlos. No ar na pele de Félix, o vilão da atual trama das nove, o ator mostrou sua versatilidade. "Ele ser tão diferente, em tantos sentidos, só me dá mais ânimo para interpretá-lo", afirma.
Também na novela de Walcyr Carrasco está Carolina Kasting, que, pela primeira vez, encarna uma mulher de baixo poder aquisitivo. "Ser convidada para interpretar a Gina é uma quebra de paradigma. A mulher pobre é sempre feia ou 'periguete'", avalia. Tanto na pele de uma antagonista, como a Laura de "Mulheres Apaixonadas", ou como a sofredora Rosana de "Terra Nostra", a atriz já fez vários tipos de personagem, mas em comum com todos eles estava o alto padrão de vida. "Eu acho que a minha imagem está associada a uma figura mais sofisticada. Essa quebra me possibilita mostrar minhas nuances como atriz", comemora.
Independentemente da situação financeira, era a sensualidade que tornava os papéis de Rita Guedes semelhantes. Em "Flor do Caribe", a atriz vive Doralice, uma cozinheira sem nenhum apelo sexual. "Gosto de todos os personagens que fiz. Mas sempre tive esse desejo de fazer algo bem oposto, completamente diferente. E essa é a primeira oportunidade que estou tendo", afirma.
Na Record, os atores que mais sentiram essa mudança foram Thierry Figueira e Marcelo Serrado, quando ainda era contratado pela emissora. Para Thierry, o ator fica um pouco refém das escalações promovidas pelos autores e diretores. Mas frisa que é extremamente gratificante o reconhecimento de seu talento para um outro tipo de papel. Em "Balacobaco", novela de Gisele Joras, ele viveu o homossexual Patrick Pimenta. "Sair do perfil de galã, para mim, foi fantástico. É ótimo poder explorar outros lados", avalia.
Já Serrado passou por uma transformação mais profunda. Com muitos papéis periféricos no seu currículo enquanto ator na Globo, ele deixou a emisorra e rumou para a Record. Com personagens mais centrais e densos em "Prova de Amor" e "Poder Paralelo", atingiu outro status e voltou para o canal global com peso para assumir um personagem grande.
Seu retorno para a Globo, em "Fina Estampa", foi triunfal. Na pele de Crô, um personagem afeminado e completamente diferente de seus trabalhos anteriores, Serrado deixou um carimbo de ator multifacetado. "Pude me levar a lugares que eu nunca tinha ido. Foi a partir disso que minha carreira na tevê deu um salto", complementa.
Na mesma onda de "presos pelo estigma", está Thiago Martins. Carioca e nascido no Morro do Vidigal, o ator revela que teve medo de ficar marcado por um estereótipo de "favelado". No ar como o piloto Rodrigo de "Flor do Caribe", Thiago conta que teve de recusar papéis, temendo que o público não conseguisse desassociar sua imagem. "Só era convidado para fazer bandido, menino de rua, pobre... Se você só faz uma coisa, só é chamado para essa mesma coisa. Tive de me impor propriamente para conseguir outras propostas", reflete.
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