Ousadia em pessoa
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 1997
Antônio Mariano Júnior 
Warren NabucoMaria Alice Vergueiro: A crítica me considera isso e aquilo, mas na hora do subsídio, eu não tenho
Os principais prêmios de melhor atriz do teatro brasileiro ela já tem. São dois Mambembes, um Moliere, um Shell e APCA. É, portanto, uma atriz pra lá de consagrada em 30 anos de carreira. Maria Alice Vergueiro sabe disso mas, no entanto, não faz uso desse expediente. Eu preciso aprender com o Cacá Rosset, com a Ruth Escobar que são empresários. Juro por Deus, às vezes, me esqueço de tirar proveito do meu sucesso- diz ela.
Ela tem lá suas razões que vão muito além da humildade. É que mesmo consagrada e coisa e tal, muitas vezes enfrenta dificuldades em conseguir subsídios para montar seus espetáculos. Ou simplesmente para mantê-los. Talvez seja porque, no Brasil, o teatro experimental - que é seu elemento mais natural e do qual é considerada o signo maior - ainda seja visto com reservas.
Ou seja, é preciso estar na mídia - se possível na Globo, como faz questão de ressaltar - para que o retorno, independente do texto, pareça mais atrativo para o patrocinador. Assim mesmo, Maria Alice Vergueiro, 60 anos, vai seguindo seu caminho. Difícil, é verdade, mas com a elegância indisfarçável que só uma grande dama do teatro tem por excelência. A seguir, os principais trechos que a atriz, que participou do Festival Internacional de Londrina - Filo - com o espetáculo No Alvo (de Thomas Bernhard), concedeu à Folha2.
Sem falsas modéstias, qual a sua importância como atriz para o teatro brasileiro?


