Milton Dória





Projetado por Villanova Artigas, o Ouro Verde foi inaugurado em 24 de dezembro de 1952 e comprado pela UEL em 1978 quando começou a funcionar também como teatro universitário

O Cine-Teatro Ouro Verde em Londrina pode, em pouco tempo, ser declarado de interesse público para fins de tombamento. Este é o objetivo do projeto encaminhado e protocolado na quinta-feira na Câmara de Londrina pelos vereadores Salvador Francisco (PSDB) e Elza Correia (sem partido).
O projeto - que está tramitando nas comissões da Câmara - é o ponto de partida para o tombamento do imóvel pertencente à Universidade Estadual de Londrina - UEL. O prédio foi projetado por Villanova Artigas e desde 1952 sedia vários eventos culturais. ‘‘A idéia surgiu porque temos observado que o Ouro Verde vem sendo assediado. A gente sabe das dificuldades financeiras da UEL e será que em caso de necessidade de caixa o Ouro Verde não poderia ser colocado à disposição?’’, alerta Salvador Francisco.
O vereador comenta também que o imóvel já recebeu ofertas de um grupo interessado na compra e, recentemente, houve proposta de uma imobiliária para convertê-lo em templo religioso. ‘‘Diante deste quadro temos que cuidar rapidamente para não enfrentarmos esse problema’’, ressalta Francisco.
Se for aprovado pela Câmara, o projeto já tem a sanção garantida pelo prefeito Antonio Belinati: ‘‘Esse projeto é importante para evitar os deslizes cometidos no passado, quando destruíram alguns prédios históricos da cidade como as antigas Câmara e Prefeitura’’- revela Belinati.
Após a sanção do prefeito, o prédio será declarado de interesse público para fins de tombamento. A declaração é o início do processo de tombamento para conservação e preservação histórica, regulamentado pela Lei Estadual 1.211, de 16 de setembro de 1953.
O tombamento é realizado por procedimentos administrativos da prefeitura e Estado, e a Secretaria Municipal de Cultura terá a incumbência de regulamentar as normas para a execução. ‘‘Espero que o projeto tramite na Câmara o mais rápido possível. Acho que em torno de um mês ele será aprovado, e acredito que não enfrentaremos resistência nem da Câmara, nem do prefeito’’, assegura Francisco.
O vereador cita, entre as razões para o tombamento, a importância do imóvel para abrigar eventos como exposições, projeção de filmes, festivais de música, dança e teatro, entre outros: ‘‘Além disso, o prédio é uma obra do Artigas, todo mundo sabe da importância desse imóvel para a cultura do município’’.
Para Jackson Proença Testa, reitor licenciado da UEL e candidato à reeleição, o projeto é louvável: ‘‘Apoiamos e achamos imprescindível a iniciativa, pois o tombamento impede que numa outra gestão o Ouro Verde seja vendido para levantar dinheiro para o caixa da UEL. O prédio é um patrimônio histórico e arquitetônico projetado por Artigas, de renome internacional. E o Ouro Verde contribui para a inserção da universidade dentro do processo de produção cultural da cidade, abrigando diversos eventos. Londrina está inclusive necessitando de um outro espaço, pois o Ouro Verde não está dando conta da nossa demanda’’.
Testa confirma a proposta feita por uma imobiliária para transformar o imóvel em um templo religioso. ‘‘Essa proposta foi descartada porque discordamos completamente dessa intenção’’, acrescenta.
Inaugurado em 24 de dezembro de 1952, o Cine Ouro Verde foi comprado em 1978 pela UEL, e, após uma reforma para a construção do palco, passou a se chamar Cine-Teatro Universitário Ouro Verde.

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