Mas não foram apenas os cinemas da família Caminhoto que encantaram gerações de londrinenses. Afinal, falar de cinema na cidade sem citar o Cine Ouro Verde, seria ignorar toda uma era de Londrina, que como o próprio nome do cinema já carrega, trouxe de forma acelerada o crescimento, o prestígio e uma identidade a cidade: a de grande produtora de café.
Estrela de teses e pesquisas, o Cine Ouro Verde já nasceu para impressionar. Sua arquitetura, assinada por Vilanova Artigas, só foi conhecida pelos londrinenses na estréia do cinema, no dia 24 de dezembro de 1952. ''Até o dia da estréia o Ouro Verde ficou escondido atrás de um tapume. A curiosidade foi grande, mas só deixaram a cidade conhecê-lo no dia da abertura'', lembrou Saulo Ribeiro, primeiro gerente do Ouro Verde.
Mas não era pra menos, a cidade, que aquela altura tinha apenas 18 anos, recebia um cinema que era mais do que o ''ar condicionado perfeito'' de seu slogan. Poltronas estofadas reclináveis, tela de vidro, som e projeção perfeitíssimos, cortinas de veludo italiano, piso em mármore Carrara e granito, rampas atapetadas, além da moderníssima arquitetura. ''O executivo da Paramount me disse que o cinema caberia perfeitamente na Broadway'', afirmou Saulo Ribeiro, lembrando da ocasião de lançamento em que o filme de estréia foi ''Meu Coração Canta'', da Fox, com Susan Hayward no elenco.
São tantas as histórias sobre o Ouro Verde que seu brilho chega a ofuscar outras salas da cidade. Seu luxo e comprometimento com o telespectador eram tanto, que eram produzidas revistas pelo gerente Saulo Ribeiro, além de um livreto contendo a programação mensal dos filmes. Outro ponto de destaque está no fato de que só podiam acompanhar as sessões quem entrasse devidamente trajado, isto é, de terno e gravata e ''vestido de noite''. ''As pessoas se arrumavam para ir ao cinema. Era um grande evento'', explicou Scheila Ribeiro, filha do pioneiro.
O Ouro Verde era assim ponto de encontro da elite londrinense, além de local de namoro e paquera. ''Até começar a sessão os rapazes e as moças transitavam dentro do cinema, paquerando a pessoa que seria escolhida para acompanhar a sessão'', lembrou Scheila.
Mas não era apenas a qualidade do cinema que atraia os londrinenses, as pinturas em sua fachada eram um espetáculo à parte, assim como a árvore de Natal, que todos os anos encantava o público.
Todo o sucesso dos cinemas nessa época estava ligado ao fato de que o londrinense via no cinema mais do que um veículo de comunicação, mas um ponto de encontro para negócios, namoro e diversão. Quem esteve lá ainda se recorda do início da sessão, marcada pela abertura da cortina de veludo, do toque de ''O Toreador de Andaluzia'', de A. Rubinstein, e do jogo de luzes em direção à tela que ia se iluminando enquanto a escuridão ia crescendo. Foi nessa primeira metade da história do cinema em Londrina, que aos domingos, o Ouro Verde chegava a receber até seis mil pessoas em suas sessões.

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