Identificar e destacar traços paralelos entre a força, a resignação e o dom de amar de uma artista mundialmente conhecida com a trajetória de mulheres anônimas inseridas em contextos diversos. Com esse desafio em mãos, as Irmãs Santiago uniram a técnica milenar do papel machê aos antigos pratos decorativos e criaram a exposição "Frida Kahlo todas nós, uma mulher muitas mulheres!". A mostra será aberta amanhã, às 19 horas, no Gardênia Café, e poderá ser visitada até o dia 30 de junho.
"Nossa intenção é mostrar pontos comuns entre a história de Frida Kahlo com a vida cotidiana de tantas outras mulheres. E mostrar que apesar de todas as dificuldades é possível deixar aflorar a doçura, a capacidade de amar e o olhar delicado perante a vida", afirma Liliane Santiago.
Para compor as 20 peças que compõem a exposição, ela e a irmã Simone pesquisaram em livros e filmes a vida da pintora mexicana. Conhecida pelas cores fortes e marcantes de suas telas, Frida Kahlo teve uma trajetória cercada de tragédias. Ainda na infância, Frida foi vítima de uma poliomelite que causou uma lesão em seu pé e anos mais tarde provocou a amputação da perna esquerda. Na adolescência sofreu um acidente que causou várias fraturas, levando-a a passar por 35 cirurgias. Na fase adulta sofreu três abortos. Teve um casamento conturbado, polêmico e repleto de traições com o pintor Diogo Rivera. Mas a artista soube transformar suas deficiências em um estilo próprio e apesar dos infortúnios manteve na maior parte do tempo um olhar de otimismo perante a vida até o momento de sua morte, aos 47 anos.
O estilo forte e marcante da pintora é retratado nos pratos decorativos produzidos pelas Irmãs Santiago. "Procuramos dar destaque às referências do trabalho dela ressaltando os contrates entre as cores primárias e secundárias. Mas também produzimos peças em tons pasteis, leves e claros para fazer referência a tantas outras mulheres que sofrem com resignação e lutam para manter o afeto e olhar leve diante dos desafios diários", salienta Liliane, que é formada em desenho industrial.
Ela explica que o maior desafio na hora de compor as peças foi encontrar, junto à irmã (que fez faculdade de educação artística), o equilíbrio entre as aspirações artísticas e a questão estrutural das peças. "Trabalhamos com o papel machê desde 2008 e nesse período produzimos vários trabalhos que vão de esculturas a biojoias. Esta é a primeira vez que aplicamos essa técnica, que é milenar, aos pratos decorativos. Apesar de ser bastante trabalhoso, o resultado ficou muito bacana", enfatiza.

Serviço:
Exposição "Frida Kahlo todas nós, uma mulher muitas mulheres!"
Quando – Abertura amanhã, às 19 horas. Visitação até 30 de junho, das 11 às 20 horas
Onde – Gardênia Café (R. Espírito Santo, 1.123)

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