Um novo maestro está à frente da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL). O austríaco Martin Tuksa faz sua estréia oficial hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde em concerto inaugural da temporada-2006. Os músicos já estiveram sob a sua direção no final do ano passado, durante a série de apresentações voltada para a escolha do novo regente titular.
No concurso, ele bateu outros três aspirantes à batuta. Hoje ele assume, no palco, o cargo que vinha sendo ocupado pelo regente adjunto Henrique Vieira em substituição a Wagner Polistchuk. O concerto de gala, que tem entrada franca, será dedicado às obras de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Robert Alexander Schumann (1810-1856), (leia texto sobre o repertório na página 2).
Além de regente, Tuksa será o solista na interpretação das duas obras. O novo maestro tem 45 anos. Austríaco de nascimento, graduou-se em violino, viola e regência na Universidade de Música de Viena. Integrou a Orquestra de Câmara de Viena e foi spalla da Orquestra de Câmara Filarmônica de Viena. Desenvolveu carreira internacional como membro do Arcus Ensemble Wien e do Klangforum Wien, apresentando-e na Europa, Estados Unidos e no Japão.
Foi trazido ao Brasil por Isaac Karabtchevsky. De 2000 a 2003, foi spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira e passou a regente da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo em 2004. Neste mesmo ano, começou a atuar nos palcos também como integrante do Vienarte, conjunto de câmara que fundou. Entrevistado ontem de manhã, durante intervalo de ensaio no Teatro Ouro Verde, ele anunciou que pretende enfatizar o repertório de compositores alemães na direção da orquestra, sem abandonar outras escolas musicais.
Lamentou as dificuldades enfrentadas atualmente pela OSUEL: elenco desfalcado e local inadequado para ensaios e concertos. Segundo ele, faltam 15 músicos para o naipe de cordas, além de uma carência de três ou quatro músicos para a seção de sopros. ''É difícil executar obras sinfônicas com tantas lacunas, especialmente peças do período romântico. São fatores que não podemos resolver apenas com idealismo. Estamos no limite. Será um desafio trabalhar nessas condições'' assinalou.
O eventual convite a músicos solistas não seria a solução, mesmo porque os cachês provocariam um rombo no já reduzido orçamento da Orquestra. De acordo com o novo maestro, as vagas estão abertas. O problema é que não há previsão para o governo do Estado liberar a realização de concursos para preenchê-las. Tuksa queixa-se também do Teatro Ouro Verde, fechado para reformas em dezembro, mas utilizado excepcionalmente pela orquestra (e pelo grupo Neuma) para ensaios e concertos.
''O ar condicionado não funciona e, como o teatro está em reforma, estamos tendo transtornos com o barulho. Há necessidade também de ajustes acústicos, já que a projeção do som é prejudicada por causa do teto e da tela branca que fica no fundo do palco, que absorvem o som. Uma solução seria instalar uma placa de madeira removível no teto, além de confeccionar uma concha acústica para concentrar e projetar o som. Seriam medidas simples para melhorar nosso desempenho'' avalia.
Além do concerto de gala à noite, a OSUEL fará um ensaio geral aberto ao público hoje, a partir de 9 horas, no Teatro Ouro Verde. As duas apresentações têm entrada franca.

Serviço:
- Hoje: Concerto de gala da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL). Horário: 20h30. Local: Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina. Entrada franca.
Leia mais sobre o concerto na página 2.

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