Osuel completa 15 anos de boa música
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de março de 1999
Telma Elorza 
Há 15 anos, um regente e um grupo de instrumentistas - cinco violoncelistas, 14 violinistas, dois violistas, três flautistas, um trompista e um oboísta - deram o pontapé inicial para uma partida que viria a mudar o perfil de Londrina. Esses 26 músicos e o maestro Othônio Benvenuto começavam, no dia 14 de março de 1984, os trabalhos daquela que viria a ser a melhor orquestra sinfônica universitária do Brasil. Nascia, naquele dia, a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), criada sob a gestão do então reitor Marco Antônio Fiori.
Hoje, mais de 5.000 dias e quatro regentes depois, com 52 músicos efetivos e um recorde de 62 concertos somente no ano passado, a Osuel já consolidou seu lugar na vida cultural panaraense e conquistou reconhecimento nacional. Apesar de enfrentar dificuldades temporárias - teve dois projetos reprovados pela comissão de avaliação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - a orquestra busca novos caminhos e não se deixa abater por entraves. A meta é crescer e, nos próximos cinco anos, contar com 80 músicos.
Arquivo FolhaMaestro Othônio Benvenuto: criador e primeiro regente da orquestraSegundo diretor da Casa de Cultura da UEL, Alcides Carvalho, a reprovação dos projetos fez com que a Osuel buscasse alternativas para completar a verba repassada pelo Governo do Estado, através da universidade. Mensalmente, a UEL repassa cerca de R$ 120 mil para a manutenção da orquestra. A Osuel, porém, necessita de, no mínimo, mais R$ 15 mil mensais para cobrir custos com artistas convidados, cursos e reparos de instrumentos, entre outros. E esta parcela seria a que a comunidade vinha aplicando, através da Lei de Incentivos, explica.
Para suprir o déficit, uma das alternativas buscadas foi inscrever os mesmos projetos na Lei Rouanet. A gente conseguiu aprovar os projetos, que devem ser publicados no Diário Oficial nos próximos 15 dias. Isto significa que vamos ter tempo de angariar patrocínios via imposto de renda, que devem ser pagos no final de abril, conta.
Além disto, um convênio firmado entre a Casa de Cultura e a Sociedade Amigos da Osuel vai permitir que a orquestra cobre por alguns serviços e que receba o dinheiro diretamente do contratante. A maior diferença que este convênio vai fazer é que o dinheiro passará a ser administrado pela Sociedade Amigos com supervisão da Casa de Cultura. Assim, sempre que a orquestra precisar comprar partituras, por exemplo, não precisará se dirigir à Universidade para liberação da verba, aponta.
Para manter o número e a qualidade dos concertos, a Osuel também está oferecendo um novo serviço: concertos didáticos e de gala para escolas particulares da cidade. A idéia é estender o serviço que a orquestra oferece há três anos a alunos de escolas municipais e estaduais. Só que as escolas particulares pagariam uma taxa, conta.
Segundo Carvalho, cada concerto na cidade custa, hoje, entre R$ 15 mil e R$ 19 mil, mas as escolas particulares pagariam apenas entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil. O restante seria absorvido pela UEL. Já conversamos com alguns colégios e a receptividade tem sido boa, conta.
Segundo Alcides Carvalho, também está pronto - e deve ser encaminhado ainda esta semana - um projeto de parceria entre a UEL e a Secretaria de Estado da Cultura para apresentações em municípios parananenses. Eu já conversei com vários secretários municipais de Cultura sobre a possibilidade de pagarem o cachê e o transporte, por exemplo, e aceitação foi excelente, afirma. Quanto a cobrar ingressos para as apresentações da temporada deste ano no Cine-Teatro Ouro Verde, Carvalho garante que vai ser a última alternativa. Temos outros meios que precisamos tentar antes deste, afirma.
Para o diretor, talvez a Osuel não consiga manter a mesma frequência de concertos que realizou no ano passado - com uma média de cinco apresentações ao mês - mas não corre risco nenhum de acabar. Sabemos que vai ser um ano difícil, os músicos estão conscientes e preparados, mas não existe risco. A UEL, o Governo do Estado e a própria comunidade londrinense não deixariam, garante. Segundo ele, a orquestra ainda tem muito a crescer e a investir em seus músicos. O nosso músico está cada vez mais técnico pois ele se aprimora a cada vez que toca. Nestes 15 anos, muito foi investido em formação profissional. O reconhecimento nacional está vindo. E, o principal, o público está aumentando, diz.
O concerto de comemoração dos 15 anos será dia 27, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, durante a abertura da Temporada Ouro Verde 99


