OSP ABRE A AGENDA
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de agosto de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Foi-se o tempo em que nos bastidores do Teatro Guaíra uma pergunta crucial e inquietante passeava entre os músicos e funcionários ligados à Orquestra Sinfônica do Paraná: qual seria o programa do próximo concerto? A data estava lá, o compromisso da apresentação idem, mas o repertório era uma incógnita que geralmente se desvendava quando os prazos estavam estourando. Desde que assumiu o posto de diretor musical e regente titular, o maestro Jamil Maluf tem tentado botar ordem na casa. A última dele: divulgou a programação do segundo semestre da OSP enquanto trabalha a temporada de 2001.
Entre as atrações futuras destacam-se Turibio Santos como solista no Concerto para Violão, de Villa-Lobos e Concerto de Aranjuez, de Rodrigo; Arthur Moreira Lima num concerto de Rachmaninoff, o flautista Antonio Carlos Carrasqueira numa peça de Ibert, Naná Vasconcelos em Concerto para Berimbau e Cordas, do próprio Naná. Para quem gosta de MPB será imperdível o espetáculo com Oswaldinho do Acordeon & Briamonte num programa que reúne obras Nelson Ayres e Chico Buarque.
Satisfeito com os resultados obtidos pela orquestra nos últimos meses o público voltou a assistir aos concertos , Maluf comenta ser um passo imenso ter os espetáculos agendados até dezembro. É um procedimento normal em todo mundo, mas que só agora chega à orquestra local.
Ele bate na mesma tecla: trabalhando-se com antecedência há melhores condições de negociar datas com bons artistas, e é importante para o público ter noção dos próximos cartazes. As pessoas poderão adequar seus compromissos conforme aquilo que quiserem ver. O próximo passo talvez seja implantado em 2001 a venda de assinaturas para a temporada sinfônica. Maluf está esperançoso: O Teatro Guaíra entendeu o esforço nesse sentido.
As grandes orquestras iniciam as temporadas com 50%, 60% dos ingressos adquiridos através dos assinantes. É uma garantia comprovada, argumenta. Essa é a visão pelo lado dos músicos. A platéia também tem regalias: As pessoas poderão comprar ingressos para os concertos com direito aos melhores lugares, e num segundo momento, se houver produção de ópera, terão oportunidade de assistir aos ensaios, participar de palestras e outros programas que serão criados especialmente.
Jamil Maluf quer fazer da OSP um conjunto sinfônico maleável, que não se restrinja apenas a Beethoven. Hoje, orquestra é o que tem de mais moderno, afirma. As mais clássicas restringem o repertório e o público, porque as pessoas não querem mais sair para ouvir o que já conhecem. As orquestras têm que abrir o mais amplo possível do seu repertório.
É claro que os conservadores ficam ouriçados, mas a regra é abrir ao máximo o leque artístico. Já foram ao palco o ator Tuca Andrada ilustrando Egmont, de Beethoven, um computador, cenas de filmes do expressionismo alemão e de Fellini, atores-manipuladores do teatro negro novidades que visam a tirar a sinfônica de um programa estático, e aproximar-se de novas platéias. Precisamos ter cartazes para todos os gostos, do ouvinte mais clássico até aquele voltado para as propostas mais modernas, argumenta o maestro.
PROGRAMAÇÃO


