Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp – se apresenta hoje, às 19 horas, no grande auditório do Teatro Guaíra, em Curitiba, sob a regência do maestro John Neschling. O programa traz a Suíte ‘‘Háry Janos’’, de Zoltán Kodály, o ‘‘Concerto nº 27 em Si Bemol Maior para Piano e Orquestra K. 595’’, de Mozart, com solo de Jean-Louis Steuerman, e a ‘‘Sinfonia nº 1 em Fá Menor op. 10’’, de Dmitri Shostakovich.
Com a vinda da sinfônica paulista a Curitiba, ocorre quase um fenômeno – o de termos na cidade orquestras nacionais. Quando não é a OSP, são as estrangeiras que sobem ao palco do Guairão, cumprindo a agenda das turnês, salvo raríssimas exceções. Esta é uma delas.
A Osesp andou por aqui em outros tempos, mas agora sua situação está bem melhor. Há dois anos iniciou-se um processo de reestruturação com a nomeação de Neschling como diretor artístico e regente titular. Em julho ganhou sede própria, a Sala São Paulo – uma das melhores salas de concertos do mundo – e há duas semanas foi tema de reportagem no jornal ‘‘The New York Times’’, ressaltando seu elevado nível técnico.
A Sinfônica do Estado de São Paulo vive hoje dias de ascensão, depois de amargar um longo período de vacas magras. Com 45 anos de existência, gozou de prestígio quando, em 1973, o maestro Eleazar de Carvalho, então seu diretor artístico, promoveu uma grande modernização, abrindo concursos no Brasil e convidando músicos estrangeiros para as vagas não ocupadas.
Nessa época a Osesp excursionou pelo País, e apresentou inúmeras primeiras audições locais e nacionais. O lendário Eleazar de Carvalho, um dos responsáveis pelo oxigênio da orquestra, programou ciclos integrais das obras de Gustav Mahler, Bruckner, Bartók entre outros.
A crise econômica brasileira atingiu a Osesp, que aos poucos foi sendo estrangulada. Perdeu a sede – inicialmente era o Theatro São Pedro, depois o Teatro Cultura Artística –, foi obrigada a tocar em lugares impróprios para o seu repertório, os salários ficaram defasados e, ainda por cima, sofria com o peso da burocracia do Estado.
Com a morte do maestro Eleazar de Carvalho, a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo convidou o maestro Neschling para o desafio de reerguer a orquestra, a essas alturas mais do que combalida.
Este apresentou um plano de longo alcance, com audições de reavaliação aos integrantes da antiga Osesp e substancial aumento de salários para os aprovados; abertura de concursos internacionais (realizados em São Paulo, Nova York e Paris).
Ao mesmo tempo iniciavam-se as obras de reforma e adaptação da Estação Júlio Prestes (antiga estação ferroviária) para dotar São Paulo de uma sala de concertos sinfônicos à altura das grandes salas européias e americanas. Inaugurada recentemente, é um dos orgulhos dos paulistas.
A Sinfônica do Estado de São Paulo é a primeira do País a trabalhar em horário integral, e com atuação intensa na capital e interior. Os concertos são realizados em todas as quintas-feiras e sábados, trazendo um repertório inovador, onde se incluem obras brasileiras em primeira audição, ou buscando aquelas que caíram no esquecimento. O resgate é mais que necessário, considerando-se a preferência dos programadores pelos mestres europeus.
Regentes internacionais passaram pela Osesp nos dois últimos anos, embora mais da metade das apresentações das temporadas tenha sido dirigida por John Neschling e pelo diretor artístico adjunto Roberto Minczuk. Entre os solistas destacam-se Nelson Freire, Alex Klein, Joaquín Achúcarro, Nikolai Demidenko, Antonio Menezes, Radovan Vlatkovic.
Planos é que não faltam para a orquestra, nesta fase de reestruturação. Um deles é a implantação de uma editora dedicada à recuperação do repertório musical brasileiro do período colonial e dos séculos 19 e 20, assim como a publicação regular dos compositores brasileiros contemporâneos.
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Hoje, às 19 horas, no Guairão, em Curitiba. Programa: Suíte ‘‘Háry Janos’’, de Zoltán Kodály; ‘‘Concerto nº 27 em Si Bemol Maior para Piano e Orquestra K. 595’’, de Mozart; ‘‘Sinfonia nº 1 em Fá Menor op. 10’’, de Dmitri Shostakovich. Ingressos: R$ 15,00 e R$ 10,00.

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