Osesp na Sala São Paulo amanhã e sábado
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por João Luiz Sampaio 
São Paulo, 05 (AE) - A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) tem pela frente, amanhã (06) e sábado, um grande desafio. Sob a regência do maestro suíço Michel Tabachnik ela interpreta a complexa "Sinfonia n.º 41 em Dó Maior", de Mozart, e a "Sinfonia n.º 4", do austríaco Gustav Mahler. Composta em 1885, a "Júpiter", como ficou conhecida a sinfonia de Mozart, é considerada a mais complexa do repertório do compositor.
Sua organização, moderna até para os parâmetros atuais, exige dos músicos um cuidado muito grande, aliado a uma refinada precisão. "A orquestra fica como nua, uma vez que qualquer erro é facilmente perceptível para o público", indica o maestro Tabachnik, para quem é importante ressaltar a universalidade da música de Mozart. "Suas composições, mesmo hoje, mais de 200 anos depois, mantêm-se atuais porque comunicam-se diretamente com o coração do público".
Na segunda parte do concerto, a Osesp interpreta a "Sinfonia n.º 4 em Sol Maior", de Gustav Mahler, compositor que foi o responsável, assim como Debussy na França, pela transição entre romantismo e modernismo na música. "Ele levou o romantismo, por meio da exploração da tonalidade, a pontos extremos, tornando impossível a outro compositor avançar nessa área e, assim, acabou abrindo espaço para artistas que vieram depois, como Stravinsky e Bártok", diz Tabachnik, que já trabalhou com maestros como Herbert von Karajan e Pierre Boulez, de quem foi assistente durante quatro anos.
Outro ponto importante na obra de Mahler é a capacidade do compositor de, como Tchaikovsky, traduzir em música obsessões e sensações pessoais. "Ele sabia falar diretamente com a alma, o corpo e os sentimentos das pessoas de tal forma que é impossível não se envolver com uma de suas obras", diz o maestro. Emoção - É essa a outra dificuldade que a Osesp deve enfrentar nos concertos deste fim de semana. As duas obras, de forte apelo dramático, exigem, além da precisão técnica, a compreensão dos sentimentos e das emoções presentes na música. "Mozart, com sua mensagem de esperança, e Mahler, que traduziu para música as desilusões do homem, são exemplos de compositores que conseguiram aliar à genialidade musical uma intensa preocupação dramática".
Além disso, a peça de Mahler requer a presença de uma grande orquestra, o que dificulta o trabalho dos músicos. Tabachnik, que já regeu a orquestra ano passado, acredita que isso não deve, no entanto, atrapalhar a orquestra. "Este é um grupo que aprende muito rápido e que trabalha dentro de uma disciplina musical muito grande, difícil de ser encontrada mesmo na Europa".
Outra atração do concerto é a participação da soprano ítalo-brasileira Gabriela Pace, solista no quarto movimento da sinfonia de Mahler, que se aproxima a um lied para solista e orquestra. "Essa peça, por ser uma das últimas do romantismo, requer muita musicalidade, já que simboliza a vida no céu e foi composta, originalmente, para a voz de uma criança", conclui o regente. Serviço - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Regência de Michel Tabachnik. Amanhã, às 21 horas; sábado, às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 221-3980


