Osesp interpreta compositores brasileiros no dia dos 500 anos
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por João Luiz Sampaio 
São Paulo, 20 (AE) - A Orquestra Sinfônica do Estado (Osesp) programou para sábado (22), quando o País comemora os 500 anos do Descobrimento, apresentações compostas, apenas, por obras de autores brasileiros.
Na primeira parte, o grupo, regido pelo maestro Roberto Minczuk, interpreta a obra Recitativo e ária, de um compositor anônimo baiano do século 18. A solista será a soprano carioca Rosana Lamosa, uma das principais cantoras líricas do Brasil.
Composta em 1759, Recitativo e ária é uma homenagem a José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo, membro do Conselho Ultramarino e responsável por averiguações sobre a atuação dos jesuítas no País, no século 18.
Uma das características principais é o fato de o texto literário ser em português e não em latim, além de a temática abordada ser profana, ou seja, não discute temas religiosos. No concerto vai ser utilizada a partitura original, encontrada em 1959, 200 anos após sua composição. "Durante os ensaios, procuramos encontrar a linha da música, os sons mais naturais, em um trabalho que complementa a reconstrução dos originais", afirma Rosana, para quem a maior dificuldade da peça está no andamento. "Trata-se de uma peça bastante inteligente e o principal e o mais difícil tem sido descobrir o tempo ideal, o quão rápido deve ser o andamento."
Maturidade - Em seguida, a orquestra toca a Sinfonia n.º 2, de Mozart Camargo Guarnieri, obra que mostra claramente a transparência da orquestração do compositor, que em sua obra traduziu a maturidade do movimento nacionalista na música brasileira.
O Choro n.º 10 da 4.ª Suíte de O Descobrimento do Brasil, de Villa-Lobos, encerra o concerto, com a participação do Coral Paulistano, dirigido por Naomi Munakata. Já apresentada na íntegra em março, pela Orquestra Sinfônica Municipal, O Descobrimento do Brasil narra a viagem dos portugueses e a chegada a terras brasileiras.
A 4.ª Suíte trata do contato entre os europeus e os nativos
utilizando referências musicais tradicionais indígenas e indicando a dominação cultural, com referências, por exemplo, à primeira missa. No Choro n.º 10 predominam elementos da música africana e seu final atinge tons de grandeza épica.
Destaques - O concerto de sábado (22) marca, também, o lançamento, pela Edusp e Imprensa Oficial, das partituras de Recitativo e ária. Organizada pela musicóloga Flávia Camargo Toni, a edição resgata o trabalho de reconstrução de Régis Duprat e Maria Alice Volpe e faz parte da coleção Uspiana - Brasil 500 Anos, série de 12 livros com temática relacionada à história cultural do País.
Outro destaque é a presença do produtor alemão Jakob Haendel. Responsável pela gravação, no ano passado, do concerto que inaugurou a Sala São Paulo, Haendel vai gravar a apresentação desta semana. Dentro da temática dos 500 anos, a série Vesperais Líricas terá uma récita especial, com obras de compositores brasileiros como Altino Pimenta, Jayme Ovalle e Íris Fontana.
No Teatro São Pedro, o Coral Lírico de Brasília interpreta o oratório Colombo, do compositor Carlos Gomes. E no Sesc Belenzinho, a Sinfonia Cultura faz o segundo concerto da série que vai abranger três domingos, nos quais será apresentada a trilha sonora de Castelo Rá-Tim-Bum - O Filme, composta por André Abujamra e Lulu Camargo. A orquestração é de Renato Lemos e a regência fica a cargo do maestro Lutero Rodrigues. Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Sábado, às 16h30. De R$ 10 a R$ 30. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes s/n.º, tel. 3337-5414 Coral Lírico de Brasília. Amanhã e sábado, às 20h30. R$ 10. Teatro São Pedro. Rua Barra Funda, 171, tel. 3667-0499 Vesperais Líricas. Domingo, às 16h30. Grátis. MuBE. Rua Alemanha, 221, tel. 881-8611 Sinfonia Cultura. Domingo, às 11 horas. R$ 3. Sesc Belenzinho. Avenida álvaro Ramos, 991, tel. 6096-8143


