A segunda edição do Grande Prêmio Cinema Brasil será entregue, amanhã, com uma festa, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, região serrana do Rio. A entrega das estatuetas criadas pela artista Maria Bonomi será transmitido pela TV Cultura e TV Educativa a partir das 20h30. Dezesseis longas-metragens disputam prêmios em dez categorias. As oito categorias restantes premiam curta e média-metragem, animação, TV (minissérie e produção cultural), vídeo, filme estrangeiro e Prêmio Especial (para obra audiovisual/ pessoa física ou jurídica).
Dos cinco finalistas ao Prêmio Brasil na categoria de melhor filme, três se destacam pelo sucesso que alcançaram nas bilheterias: ‘‘Auto da Compadecida’’, de Guel Arraes, tornou-se - com seus 2,1 milhões de espectadores - a maior bilheteria brasileira da década; ‘‘Castelo Rá-Tim-Bum’’ (725 mil) e ‘‘Eu Tu Eles’’ (696 mil).
Os finalistas ao Grande Prêmio Brasil de Cinema foram escolhidos por colegiado de especialistas que pré-selecionou 16 longas-metragens, 5 curtas, 5 médias-metragens, cinco filmes de animação, 10 programas de TV, 5 vídeos, 5 projetos especiais e 5 filmes estrangeiros.
Além de todas as portas que se abrem aos vencedores, os candidatos aos prêmios da segunda edição do Grande Prêmio Cinema Brasil tem um motivo a mais para cobiçar os troféus. Eles foram criados pela consagrada artista plástica Maria Bonomi e são pequenas obras de arte, feitos um a um, numerados e assinados pela autora. ‘‘Fiz esse trabalho com um carinho todo especial, pois sou muito ligada ao cinema’’, conta ela, que nos anos 60 chegou a trabalhar em cenografia com o diretor americano Charles Guggenheim.
Sua ligação com a arte de desenhar e criar cenários não é nova. ‘‘Sempre trabalhei com cenografia de teatro e fui apresentada a Guggenheim por Bernardo Segall, um sobrinho de Lasar Segall, que vivia nos EUA e fazia música para cinema.’’
Ela considera o cinema a arte das respostas. ‘‘É uma arte que fala diretamente com o espectador, fazendo perguntas e oferecendo respostas, ao passo que uma escultura, por exemplo, é uma afirmação.’’ Para ela, o cinema é encantamento.
Maria Bonomi é uma conhecida criadora de troféus. O Prêmio Eldorado de Música, oferecido pela Rádio Eldorado, foi feito por ela, bem como o troféu da Apetesp e o Prêmio Jaboti. Ela conta que refletiu bastante antes de chegar ao resultado final, um triângulo com três faces de cada lado e 28 centímetros de altura. ‘‘Fiz a escultura matriz em barro, mas os trabalhos finais serão em bronze, que é um metal associado à nobreza.’’
Segundo ela, cada face do triângulo representa uma etapa do processo cinematográfico. ‘‘Elas significam a difusão, a arte e a técnica de uma arte coletiva, que requer a participação de um grande número de profissionais específicos para cada área.’’ E completa: ‘‘Procurei dar a idéia da estratificação que ocorre na produção do cinema, e da soma de esforços.’’ Ao todo, são 30 troféus. ‘‘Inicialmente, estavam previstos apenas 15, mas há pouco tempo foi decidido que deveriam ser feitas 30 unidades.’’
Maria Bonomi é um dos nomes mais tradicionais das artes plásticas do Brasil e consagrou-se principalmente como gravurista, meio no qual é considerada uma espécie de matriarca. Mas ela se valeu de vários suportes, sempre buscando novos meios gráficos que lhe servissem de veículo para seu talento. Isso lhe valeu o rótulo de transgressora. Ela tem trabalhos monumentais, como um grande painel no Parque Villa-Lobos e no Memorial da América latina. Trabalha também fazendo artefatos em bronze, latão ou alumínio.

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