A 98ª edição do Oscar confirmou as tendências: as batalhas de Paul Thomas Anderson levaram os prêmios mais importantes, e sobraram estatuetas para "Pecadores", que recebeu muitos elogios. A cerimônia combinou humor discutível (Conan O’Brien, o lamentável), exibiu um único momento político explícito com a voz solitária de Javier Bardem pedindo paz e Palestina livre, e uma emocionante seção "in memoriam."

Para o Brasil, que não alcançou nenhuma das estatuetas a que estava nominado, restou um valioso, enorme inventário de prestígio mundial, momentos de competência e brilho nas telas compartilhados por milhares de espectadores mundo afora.

Leia mais:

Mais uma vez, o resultado da temporada de premiações foi cirurgicamente preciso, levando em conta as últimas previsões, cujas reviravoltas finais foram marcadas pelas controvérsias usuais que transcendem o âmbito artístico, como o affair Chalamet. A 98ª edição do Oscar coroou uma série de filmes de ação (mas não vazios de ideias) que levaram para casa os principais prêmios e um total de seis estatuetas.

O filme de Paul Thomas Anderson alcançou um domínio inegável, rendendo a ele o Oscar de Melhor Diretor mais merecido neste novo milênio. “Pecadores”, candidatura-revelação que foi crescendo ao longo do ano passado (foi lançado nos EUA em meados de abril de 2025 e superinflado durante doze meses, chegando a 16 nominações (!) em uma campanha eleitoral impressionante, e afinal levando quatro prêmios, incluindo o de Melhor Ator para Michael B. Jordan, que superou seus concorrentes nas últimas semanas da competição.

Michael T. Jordan com o Oscar de Melhor Ator por "Pecadores"
Michael T. Jordan com o Oscar de Melhor Ator por "Pecadores" | Foto: Jean Baptiste Lacroix/ AFP

CONCORRÊNCIA INTERNACIONAL

“Valor Sentimental”, sexto longa-metragem de Joachim Trier, deu à Noruega seu primeiro Oscar, na categoria de filme internacional, suplantando “O Agente Secreto”. E isso foi conquistado por um cineasta destinado a se tornar um dos porta-estandartes históricos do cinema escandinavo. Continuando com os destaques, o documentário "Mr. Nobody Against Putin", de David Borenstein, venceu na categoria de Melhor Documentário, prêmio que lhe dará uma visibilidade que o formato não possui, via de regra relegado às margens das plataformas de streaming. De certa forma, o Oscar se tornou um guia de filmes para todos os tipos de público. Pedir algo mais deles, nestes tempos, seria inútil.

Jessie Buckley com o Oscar de Melhor Atriz por "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet": uma conquista incontestável
Jessie Buckley com o Oscar de Melhor Atriz por "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet": uma conquista incontestável | Foto: Angela Weiss/ AFP

Bom ver a alegria da atriz Jessie Buckley em seu agradecimento pelo Oscar mais óbvio dos últimos tempos. Grande surpresa, reencontrar Billy Cristal (fazendo belo necrológio ao cineasta Rob Reiner e sua mulher, Michele Singer), talvez o melhor mestre de cerimônias que o Oscar já teve em outro tempos mais espirituosos e mais inteligentes, apesar da mortífera extensão. Um dica imperdível para a cinefilia: o premiado curta-metragem de ficção “Singers” está disponível na Netflix (dividindo o Oscar da categoria ex-aequo com “Two People Exchanging Saliva”)

Ryan Coogler com o Oscar de Melhor  de Melhor Roteiro Original por "Pecadores", filme também dirigido por ele
Ryan Coogler com o Oscar de Melhor de Melhor Roteiro Original por "Pecadores", filme também dirigido por ele | Foto: Patrick T. Fallon/ AFP

Todos os vencedores da 98ª edição

• Melhor Filme: One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson.

• Melhor Diretor: Paul Thomas Anderson, por One Battle After Another.

• Melhor Ator: Michael B. Jordan, por Sinners.

• Melhor Atriz: Jessie Buckley, por Hamnet.

• Melhor Ator Coadjuvante: Sean Penn, por One Battle After Another.

• Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Madigan, por Weapons.

• Melhor Roteiro Original: Ryan Coogler, por Sinners.

• Melhor Roteiro Adaptado: Paul Thomas Anderson, por One Battle After Another.

• Melhor Filme Internacional: Sentimental Value, de Joachim Trier (Noruega).

• Melhor Filme de Animação: K-Pop Demon Hunters, de Maggie Kang e Chris Appelhans.

• Melhor Documentário: Mr. Nobody Against Putin, de David Borenstein.

• Melhor Trilha-Sonora Original: Ludwig Göransson, por Sinners.

• Melhor Filme de Animação: One Battle After Another. • Melhor Canção Original: "Golden", da banda K-Pop Demon Hunters.

• Melhor Fotografia: Autumn Durald Arkapaw, por Sinners.

• Melhor Montagem: Andy Jurgensen, por One Battle After Another.

• Melhor Direção de Arte: Tamara Deverell e Shane Vieau, por Frankenstein.

• Melhor Figurino: Kate Hawley, por Frankenstein.

• Melhor Maquiagem e Cabelo: Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey, por Frankenstein.

• Melhor Som: Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta, por F1.

• Melhores Efeitos Visuais: Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett, por Avatar: Fogo e Cinzas.

• Melhor Elenco: Cassandra Kulukundis, por One Battle After Another.

• Melhor Curta-Metragem de Ficção: The Singers e Two People Exchanging Saliva (empate).

• Melhor Curta-Metragem de Animação: The Girl Who Cried Pearls, de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski.

• Melhor Curta-Metragem Documentário: All the Empty Rooms, de Joshua Seftel.

mockup