OSCAR 2008 - Bons atores serão recompensados
Nada a reclamar este ano quanto aos prêmios. Se a divisão em relação aos filmes foi justíssima, o reconhecimento ao trabalho dos atores foi de uma precisão cirúrgica.
Para quem acompanhou o desempenho dos premiados, a votação foi exemplar. Marion Cotillard, por exemplo. Sobre os ombros da atriz Marion Cotillard o peso de uma tarefa gigantesca, a de ressuscitar Piaf. No filme, na maioria do tempo, ela entra em fusão com o personagem e a atuação passa despercebida. A moça compreendeu a idéia e se entregou a um papel em que seu rosto deveria desaparecer por completo, assim como seus modos e seus gestos. Sacrifício plenamente recompensado. Leva a estatueta sem qualquer restrição.
E o que dizer de Javier Bardem, a própria encarnação do Mal contemporâneo na pele do assassino sociopata que alimenta a dimensão de tragédia do filme dos Coen? Sua atuação faz história, ao garantir o primeiro Oscar de interpretação à Espanha. Por sua vez, Daniel Day-Lewis, melhor ator pelo personagem empreendedor-magnata na Califórnia do início do século passado, em ''Sangue Negro'', retorna ao cinema depois de se retirar há alguns anos para se tornar ''sapateiro artesanal''. Day-Lewis, um perfecionista obsessivo, parece viver um momento de tranquilidade profissional e pessoal, assumindo um lado família até então desconhecido.
E a melhor coadjuvante feminina, a inglesa Tilda Swinton, atropelou na reta de chegada a favorita Cate Banchett e emplacou por seu excelente papel de advogada amoral e absolutamente anti-ética em ''Conduta de Risco'', ótimo filme de Tony Gilroy cujo único pecado - mortal - foi ter pela frente contendores com os Coen e Paul Thomas Anderson, o diretor de ''Sangue Negro''. (C.E.L.J.)





