OSCAR 2000
Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Londrina
Especial para a Folha2
A partir das 22 horas, horário de Brasília, cerca de 1 bilhão e 800 mil pessoas em mais de 130 países estarão acompanhando pela televisão, direto do Auditório Shrine, centro de Los Angeles, a 72ª cerimônia de entrega do Oscar, o principal prêmio do cinema americano atribuído pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. No Brasil, as transmissões de TV serão pelo SBT - com direitos adquiridos para os próximos 5 anos - e pelo canal pago Telecine (Net/Multicanal). De volta ao comando do show, o ator e mestre-de- cerimônias Billy Cristal, que substitui Whoppi Goldberg, a apresentadora do ano passado.
Seguindo a mesma tendência de 1999, este ano não existem favoritos disparados para os prêmios que serão distribuídos em 24 categorias - a única exceção fica por conta de Pedro Almodóvar e seu Todo Sobre Mi Madre, o filme espanhol considerado uma barbada para o Oscar de filme estrangeiro. Mas como o histórico de injustiças cometidas pelo colégio eleitoral é notável, o diretor espanhol deve estar com as barbas de molho. Na categoria principal - melhor filme - as apostas estão mais carregadas em Beleza Americana. Mas não de maneira a fazer muita diferença na balança. Embolados aparecem a seguir O Informante, Regras da Vida e À Espera de um Milagre, com O Sexto Sentido sem chances reais. Entre os atores, ligeiro favoritismo para Denzel Hurricane Washington, com Kevin Spacey em excelente situação. Entre as mulheres, Hilary Swank deve dar muito trabalho a Annette Bening, que desfila grávida de 8 meses do quarto filho.
Mudaram os filmes e com eles a cabeça da Academia? 1999 seria o ano da grande guinada hollywoodiana, com mudança de rumos através de uma híbrida cartilha mista entre independentes e mainstream? Etc, etc? Sem dúvida, é bom ver entre os nominados títulos em que os efeitos especiais são apenas pétalas vermelhas de paixão e sangue caindo no quintal da subúrbia atônita. Ou saber que onde há fumaça de cigarro há fogo de denúncia e conflito ético envolvendo o poder da mídia. Ou ainda que o aborto pode ser discutido, da mesmo forma que a pena capital e a vida depois da morte - um bom pretexto para falar de relacionamento familiar. Cinco filmes, cinco temas adultos, alguns colocados sob uma ótica mais conservadora, mais ao gosto da velha Academia; e outros trazendo a marca da novidade. Mas ainda é pouco para falar sobre um novo establishment intelectual. Há boas pistas, mas ainda um bom caminho a percorrer.
O diretor Bob Rafelson já definiu a festa do Oscar como um mau show de TV. É o momento onde as vaidades de Hollywood desfilam sob as grifes mais diversas e mais ou menos badaladas. Sem dúvida é uma festa brega, para dizer o mínimo. Mas todos ligam a televisão para ver a entrada triunfal da constelação ou ouvir os discursos de agradecimento. Embora sob severa vigilância da produção, que limitou o tempo dos agradecimentos, ainda há alguns exageros hilários.
Entre os momentos mais sérios de cada premiação estão os prêmios honorários. Na maioria dos casos, funcionam como uma espécie de mea-culpa, o reconhecimento de grandes injustiças. Dois nomes serão consagrados hoje à noite: os cineastas Warren Beatty e o polonês Andrzej Wajda. O americano tem um feito notável em sua bagagem. Foi o único artista a ser indicado para o Oscar, no mesmo ano, em quatro categorias diferentes: ator, diretor, roteirista e produtor. E a proeza foi conquistada em duas ocasiões: O Céu Pode Esperar, em 78, e Reds, em 81. Um acerto de contas mais do que devido é com o polonês Wajda, que ao longo dos últimos 50 anos disputou o Oscar de melhor filme estrangeiro, sem ganhar uma única vez. Autor de títulos de peso para o cinema mundial, como Cinzas e Diamantes, O Homem de Mármore e O Homem de Ferro, Wajda passa a fazer parte da galeria de imortais da Academia, como Kurosawa, Antonioni, Fred Astaire, Greta Garbo.
OS INDICADOS
ReproduçãoDenzel Washington concorre ao Oscar de melhor atorMelhor filme
- Beleza Americana (American Beauty)
- Regras da Vida (The Cider House Rules)
- À Espera de Um Milagre (The Green Mile)
- O Informante (The Insider)
- O Sexto Sentido (The Sixth Sense)
Melhor ator
- Russell Crowe (O Informante)
- Richard Farnsworth (The Straight Story)
- Sean Penn (Sweet and Lowdown)
- Kevin Spacey (Beleza Americana)
- Denzel Washington (Hurricane - O Furacão)
Melhor ator coadjuvante
- Michael Caine (The Cider House Rules)
- Tom Cruise (Magnolia)
- Michael Clarke Duncan (À Espera de um Milagre)
- Jude Law (O Talentoso Mr. Ripley)
- Haley Joel Osment (O Sexto Sentido)
Melhor atriz
- Annette Bening (Beleza Americana)
- Janet McTeer (Tumbleweeds)
- Julianne Moore (Fim de Caso)
- Meryl Streep (Music of the Heart)
- Hilary Swank (Os Meninos não Choram)
Melhor atriz coadjuvante
- Toni Collette (O Sexto Sentido)
- Angelina Jolie (Garota Interrompida)
- Catherine Keener (Being John Malkovich)
- Samantha Morton (Sweet and Lowdown)
- Chlou Sevigny (Os Meninos não Choram)
Direção de arte
- Ana e o Rei (Anna And The King)
- The Cider House Rules
- Sleepy Hollow
- O Talentoso Mr. Ripley (The Talented Mr. Ripley)
- Topsy-Turvy
Fotografia
- Beleza Americana (American Beauty)
- Fim de Caso (The End Of The Affair)
- O Informante (The Insider)
- Sleepy Hollow
- Snow Falling On Cedars
Melhor figurino
- Ana e o Rei (Anna And The King)
- Sleepy Hollow
- O Talentoso Mr. Ripley (The Talented Mr. Ripley)
- Titus
- Topsy-Turvy
Melhor direção
- Sam Mendes / Beleza Americana (American Beauty)
- Spike Jonze / Being John Malkovich
- Lasse Hallström / Regras da Vida (The Cider House Rules)
- Michael Mann / O Informante (The Insider)
- M. Night Shyamalan / O Sexto Sentido (The Sixth Sense)
Melhor filme estrangeiro
- Tudo Sobre Minha Mãe / Espanha
- Caravan / Nepal
- East-West / França
- Solomon And Gaenor / País de Gales
- Under The Sun / Suécia
Melhor trilha sonora
- Beleza Americana (American Beauty)
- Angelas Ashes
- Regras da Vida (The Cider House Rules)
- The Red Violin
- O Talentoso Mr. Ripley (The Talented Mr. Ripley)
Melhores efeitos especiais
- Matrix (The Matrix)
- Star Wars (Star Wars Episode I: The Phantom Menace)
- O Pequeno Stuart Little (Stuart Little)
Melhor roteiro adaptado
- Regras da Vida (The Cider House Rules)
- À Espera de um Milagre (The Green Mile)
- O Informante (The Insider)
- O Talentoso Mr. Ripley (The Talented Mr. Ripley)
Melhor roteiro - original
- Beleza Americana (American Beauty)
- Being John Malkovich
- Magnolia
- O Sexto Sentido (The Sixth Sense)
- Topsy-Turvy
Agradecimentos limitados
A mais longa cerimônia de entrega do Oscar foi em 1984, com 3 horas e 40 minutos. Segundo estatística da própria Academia, cada vencedor levou em média 99 segundos nos agradecimentos, e cada um citou a média de 7.8 parentes, amigos, conhecidos ou profissionais da indústria. O mais longo discurso da história do prêmio foi feito pela atriz Greer Garson em 1942, com 5 minutos e 30 segundos. A partir de 1990, a produção do show limitou o agradecimento em 45 segundos. Após 25 segundos, uma luz vermelha de alerta é acesa. Na maioria dos casos este limite é desrespeitado.





