Passado o frisson do Oscar deste ano bordado de verde-amarelo, e posta em quarentena a oferta de títulos chancelados pela meritocracia com troféus e honrarias, as salas voltaram à normalidade da programação, vale dizer, muita coisa descartável e um ou outro material mais ou menos aproveitável que se coloca ligeiramente em patamar acima da mediocridade, quando se observa a oferta de novidades – “ser medíocre é ser mediano, ordinário, vulgar, sem mérito, ou estar entre mau e insuficiente”. Exatamente como definem os dicionários.

Assim, esta é uma situação propícia para que um gênero estimado, mas nem sempre prestigiado pela produção, ganhe espaço entre exibidores e reassuma relevância. A referência é à espionagem, que rendeu uma considerável lista de títulos ao longo da história do cinema e que, em apenas dois momentos recentes, mostrou que os realizadores não perderam o jeito de propor bons jogos de xadrez entre espiões espertos e as plateias mais atentas. No mês passado, por exemplo, quem viu “O Código Preto” se deliciou com uma trama sofisticada e inteligente entre um pequeno grupo de espiões. Cinema de primeira. E a partir desta quinta-feira (10), o cinéfilo londrinense recebe material não tão refinado quanto o “O Código...” dirigido por Steve Soderbergh, mas ainda assim bem palatável.

Quem encabeça o elenco  do filme é Rami Malek, Oscar por “Bohemian Rhapsody”
Quem encabeça o elenco do filme é Rami Malek, Oscar por “Bohemian Rhapsody” | Foto: Divulgação

Charlie Heller é um brilhante analista da CIA que lida com mensagens enviadas por um informante que usa o pseudônimo Lodger. Em um ataque terrorista, a mulher dele morre, e a dor é agravada pelo desamparo causado pela falta de esforço de seus superiores para capturar quem cometeu o crime. Eles sabem quem são, mas acham que, enquanto os criminosos estiverem livres, poderão fornecer informações mais precisas.

Insatisfeito com esse pragmatismo duvidoso, e de posse de evidências, Heller pede para ser treinado como agente de campo para se vingar, e ameaça chantagear seu superioes caso não concordem.

ADAPTAÇÃO

O filme é dirigido por James Hawes, que anteriormente assinou alguns episódios da série “Slow Horses”, sobre uma divisão de punição do MI6 britânico, além de ter dirigido o excelente “The Children of Winton”. É a adaptação de um romance de Robert Littell, transformado em roteiro por Ken Nolan e Gary Spinelli, todos com currículos de filme de espionagem & agentes secretos. O filme não inventa a roda; basicamente temos uma história de vingança. Um agente que deveria ser um teórico, mas graças a seu raciocínio rápido acaba não sendo desastrado; e também não é o típico "amador"; (título oiriginal : “The Amateur”) mas tem capacidade de resposta para enganar todos os inimigos ou supostos amigos que cruzam seu caminho.

Quem encabeça o elenco é Rami Malek, Oscar por “Bohemian Rhapsody”. Embora longe de ser um grande ator, ele consegue ser verossimil como o teórico de talento excepcional que passa a agente de campo dentro da Agência, e ainda demonstra com competencia a dor de sua perda. O restante do elenco é competente, embora seus papéis sejam menores.

* Confira a programação de cinema no site da FOLHA.

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