Os vários nomes da arte
Curitiba Cem artistas plásticos reunidos e com tempo disponível para discutir idéias, tendências, mostrar e analisar obras de arte e acima de tudo criar. Trata-se do Faxinal das Artes, um evento inédito promovido pela Secretaria de Cultura do Paraná que reúne, a partir de hoje, uma centena de artistas de todo o Brasil. A programação acontece em Faxinal do Céu, a 400 quilômetros de Curitiba. A proposta é que, durante duas semanas, expoentes da arte contemporânea nacional tenham tempo para discutir questões relacionadas às artes visuais e também produzir obras que serão incorporadas ao acervo do Estado.
É um evento original e com uma programação bastante eclética. Pelo tema, não poderia ser diferente. Faxinal das Artes pode ser considerado um divisor de águas para a história das artes plásticas no Brasil, considera o curador geral do evento, Agnaldo Farias, que também assina a seleção do núcleo brasileiro da 25.ª Bienal de São Paulo. Para ele, os artistas brasileiros estavam carentes de um evento que pudesse proporcionar a discussão das atuais tendências das artes no País.
Inicialmente, recorda o curador, foi pensado em um evento voltado à produção, que reunisse estudantes de artes do Brasil. Eles produziriam novas obras, supervisionados por tutores, ou seja, artistas mais reconhecidos no cenário nacional. Mas esse público já têm os salões de artes e outros eventos semelhantes para se encontrarem, salienta. Na opinião de Farias, faltava mesmo um evento dirigido aos artistas que já tem uma carreira significativa, para que pudesse ser realizado um troca de idéias da arte contemporânea. E a Secretaria de Cultura do Paraná foi pioneira na organização desse evento, diz.
Para participar foram convidados, não aleatoriamente, cem artistas brasileiros. Figuras carimbadas nos principais salões e até mesmo na Bienal de São Paulo, mas também artistas que começam a surgir agora no cenário, com obras não menos representativas. Alguns já se adiantaram solicitando materiais pouco convencionais para suas obras, como frango, pés-de-bois, radiolas e árvores secas. É que entre os debates e palestras, os artistas terão um tempo opcional, frisa-se para criar novas obras. A produção realizada no evento vai se incorporar ao acervo do Estado, explica Farias. Mas quem quiser pode se restringir à programação teórica.
Além da centena de artistas, no evento estarão também críticos, curadores, galeristas, historiadores da arte, músicos, escritores, jornalistas, cineastas, coreógrafos, diretores de teatro, filósofos, psicanalistas, antropólogos e historiadores. Todos participam de atividades paralelas como palestras, debates, exibição de filmes e apresentações artísticas. O cantor e compositor Paulinho da Viola e os escritores Zuenir Ventura e José Castello são alguns dos nomes confirmados no evento.
Pela proporção, o orçamento do evento é pequeno até. Segundo a secretaria, cerca de R$ 600 mil. Os artistas recebem um cachê de cerca de R$ 1,5 mil para ficar à disposição durante quinze dias. A seleção deles seguiu um critério apenas de representatividade no Estado de origem. Isso não significa que os que ficaram de fora são melhores ou piores, diz o curador paranaense do evento Fernando Bini. Ele ressalta que a única exigência foi que trinta, dos cem artistas, fossem paranaenses, já que é a Secretaria Estadual que está promovendo o encontro.
Para Bini, a intenção é fazer algo significativo para a história das artes. Algo que fique, resume. O curador diz ainda que novas tendências para a arte contemporânea podem despontar durante o evento, já que as mais comuns atualmente as instalações e a arte em vídeo estão se desgastando.
O evento acontece até o dia 31. Até lá os artistas e participantes estarão acomodados nos cerca de 350 chalés da vila residencial, construída pelos operários das obras da hidrelétrica da região. Uma ótima idéia para um reality show.





