Os traços caboclos de uma tradição européia
A Folia de Reis surgiu na Espanha no início do Século 13. Migrou para Portugal e desembarcou no Brasil colônia. A fisionomia cabocla da Folia de Reis mistura elementos das culturas indígenas e européias. Inicialmente, de caráter profano, ganhou ares religiosos por aqui, celebrando a viagem que os magos realizaram a Belém para adorar o menino Jesus. A saída da Folia de Reis é o dia de Natal, após a meia-noite, hora consagrada ao nascimento de Cristo. No dia 6 de janeiro é celebrado com grande entusiasmo o retorno dos magos aos reinos do oriente.
As pessoas que participam da Folia de Reis buscam o recebimento de uma bênção divina (restauro da saúde, questões financeiras, problemas pendentes). As folias são realizadas com no mínimo 12 foliões, como são chamados. Eles vestem fardas e seguem uma hierarquia, pois são os soldados dos Reis Magos. O mestre ou embaixador é a autoridade suprema e todos são obedientes a ele. Há o contramestre que auxilia na cantoria e recolhe os donativos. Compõem ainda o conjunto de foliões o contralto, tiple, contratiple, tala e talinha. O bandeeiro leva o símbolo da folia, uma bandeira com mastro de madeira repleto de ornamentos religiosos.
Cada festa possui um número variado dessas figuras, mas tradicionalmente aparecem os bastiões usando uma máscara como característica. Sempre estão mais afastados dos demais membros da folia e jamais se adiantam à bandeira. No geral, as folias percorrem ruas, vilas e povoados entoando cantos que narram a jornada dos Reis e algumas passagens da vida de Cristo. Batem à porta das casas, cantam para os moradores e depois se despedem.(F.F.)





