Os tiozões do heavy metal chegaram
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quinta-feira, 24 de março de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Neste fim de semana, milhares de pessoas - a maioria vestidas de preto - vão fazer filas quilométricas em frente aos portões do estádio do Morumbi, em São Paulo, entoando músicas que parecem canções medievais; sendo ouvida de longe, a multidão vai ecoar, em uníssono, o mantra ''Olê, olê, olê, olê, Maiden, Maiden''. Não é um culto religioso - na verdade, é quase o contrário. Estampando o número 666 na sua bandeira e tendo um morto-vivo como mascote, o Iron Maiden, banda de metal mais famosa do mundo, está chegando por aqui.
Toda a comoção não é por acaso. Com mais de 30 anos de metal e somando 21 álbuns - 15 de estúdio e 6 ao vivo - o Iron vendeu em toda sua história mais de 85 milhões de discos, se transformando em referência para o gênero do metal e uma das principais bandas de rock de todos os tempos, com músicas que viraram hinos para toda uma geração de metaleiros.
Apesar do visual dark e de um espetáculo de palco repleto de simbolismos, a música do Iron evita temas como sexo e drogas, e é comumente inspirada por fatos e poemas históricos, com letras melancólicas e profundas. Todas as composições têm o toque especial do mentor da banda, o baixista Steve Harris, com formação em História.
Contando com sucessos como ''Fear of The Dark'' e ''2 Minutes to Midnight'', os cinquentões do Iron podem ser dinossauros, mas ainda estão com os dentes afiados; uma das características da banda é a de nunca se deixar acomodar pelo sucesso dos hits antigos, e continuar sempre trabalhando na composição de novos discos, evoluindo cada vez mais e expandido as fronteiras da música heavy metal.
O estudante de engenharia Fábio Nagai faz parte de uma nova geração de fãs do Maiden - começando a escutar o som da banda a partir do álbum ''Brave New World'', de 2000, para só depois descobrir os sucessos antigos. ''Eu estou ansioso pelo show. A expectativa é muito grande'', admite Nagai, que pela primeira vez terá a oportunidade de acompanhar o Iron ao vivo, neste sábado, em São Paulo. ''O som deles foi o primeiro contato que eu tive com esse tipo de música. Eu acho que o Maiden é referência para todo o resto das bandas de metal. Os caras são muito bons'', completa.
Junto com Fábio, metaleiros de todos os cantos do país vão se reunir para celebrar a chegada do avião batizado de ''Ed Force One'' em terras tupiniquins: a aeronave, que carrega os integrantes do Iron, é pilotada ao redor do globo por Bruce Dickinson - o líder no vocal melódico do grupo - e já passou por países como Israel, África do Sul, Índia e México.
Os tiozões metaleiros do Iron não escondem que o público brasileiro é o preferido da banda. E não é para menos. Os shows do Iron por aqui têm ingessos esgotados ano após ano, e o grupo chegou a bater o recorde nacional de público em 2010, com o evento reunindo, embaixo de uma pesada chuva, 65 mil pessoas em Interlagos; um público fiel e hipnotizado pelos solos das três guitarras, pelo baixo marcante e pela voz irreparável de Dickinson.
O Iron Maiden se apresenta amanhã em São Paulo, domingo no Rio de Janeiro, e depois segue para Brasília, Belém e Recife, terminando sua passagem pelo Brasil em Curitiba, no dia 5 de abril.


