Os tesouros de Florença
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2001
Mary Persia de Oliveira Agência Estado 
Fisicamente pequena, imensurável culturalmente. Florença, na região da Toscana, localizada pouco acima do joelho da bota italiana, é uma cidade de forte tradição cultural. Lá nasceram Michelangelo, Botticelli, Giotto, Dante Alighieri, Maquiavel e tantos outros que mexeram com conceitos, provocaram discussões e desafiaram estéticas mundo afora.
Mais do que isso, Florença o berço do Renascimento foi, durante muito tempo, o centro da cultura européia e abrigou, entre os séculos 14 e 16, grandes nomes do pensamento e das artes. Pintura, escultura, arquitetura, filosofia e literatura legaram a Florença inúmeros tesouros.
Reserve tempo muito tempo para apreciar a cidade. Veja o Davi de Michelangelo, mas também não deixe de conhecer as vielas de Santa Croce. Até mesmo o Rio Arno, que corta a cidade, merece atenção pelo estilo arquitetônico de suas pontes.
Se o tempo for curto, atenha-se à Piazza del Duomo, às igrejas maiores e a alguns museus. O Duomo, no centro da cidade, é formado pela Catedral de Santa Maria del Fiore (destaque para sua cúpula, projetada por Brunelleschi, utilizada como modelo para a de São Pedro, em Roma), que começou a ser levantada ainda no século 13 e só ficou pronta no século 19; o Campanário, desenhado por Giotto quando o artista contava 70 anos; e o Batistério, construído nos séculos 11 e 12.
As portas do Batistério, feitas de bronze, merecem bastante atenção. A da entrada sul é de Andrea Pisano e foi concebida em 1330. Conta, em estilo gótico, a vida de São João Batista na parte de cima e fala das virtudes na de baixo. Já a porta norte, feita por Lorenzo Guiberti entre 1403 e 1424, evoca a vida de Cristo. A porta leste, em frente ao Duomo, por sua vez, foi chamada por Michelângelo de Porta do Paraíso. Feita entre 1425 e 1452 também por Ghiberti, traz cenas do Velho Testamento.
Para apreciar o Campanário é preciso preparo físico e mental. A subida é puxada e, em alguns trechos do caminho, a passagem é bem estreita. A recompensa a quem chega ao topo dos seus 87,5 metros são uma belíssima vista da Florença (quando o tempo colabora, é possível até avistar os Apeninos que vão do norte ao sul da Itália no horizonte) e uma surdez temporária causada pelo soar dos sinos.
Depois de conhecer o Duomo, vale visitar algumas das igrejas mais importantes da cidade: Santa Maria Novella, Santa Croce, da Santíssima Anunziata e as basílicas de San Lorenzo e de San Miniato.
A Igreja de Santa Maria Novella fica na praça de mesmo nome. Seus destaques são as obras de Brunelleschi, Giotto, de Masaccio, Oscagna e Paolo Ucello. Na de Santa Croce, franciscana, estão os restos mortais de Michelângelo, Maquiavel, Dante Alighieri, Galileu Galilei e outros gênios florentinos. Seu interior ostenta afrescos de Giotto e esculturas de Donatello.
A da Santíssima Anunziata, por sua vez, fica numa das mais belas praças de Florença, enquanto a Basílica de S. Lorenzo ostenta obras de Michelângelo e abriga o túmulo dos Médici. A Basílica de S. Miniato, por sua vez, assim como o Batistério foi construída em estilo romântico-florentino.


