A Galeria Borghese, de Roma, foi uma frustração que durou mais de dez anos. Durante o tempo em que esteve fechada para reformas, recebeu hordas de amantes da arte que batiam à sua porta para pedir inutilmente permissão para ver este ou aquele quadro, esta ou aquela escultura.
A reabertura, em 1997, transformou o museu romano em ponto obrigatório até na programação de visitas oficiais organizadas pelo cerimonial do governo italiano. É uma parte de seu valioso acervo e a história do mecenas Scipione Borghese que chega ao público brasileiro através do livro ‘‘Galleria Borghese – Os Tesouros do Cardeal’’ num lançamento da editora Berlendis & Vertecchia.
O volume foi cuidadosamente coordenado por Donatella Berlendis, que convocou a professora de arte Elisa Byington para escrever o texto panorâmico sobre a galeria, o fotógrafo Micheangelo Princiotta para clicar as telas e esculturas escolhidas e o historiador e crítico de arte José Roberto Teixeira Leite para assinar os verbetes das obras reproduzidas nas páginas.
Entre os tesouros estampados figuram peças de Antonio Canova (1757-1822), Gianlorenzo Bernini (1598-1680), Caravaggio (1573-1610), Raffaello Sanzio (1483-1520), Pieter Paul Rubens (1577-1640) e Tiziano (1487-1576), para ficar em alguns dos nomes mais representativos. A grande arte, entretanto, já dividiu espaço na galeria com animais exóticos, plantas raras e aves de toda espécie numa ‘‘sofisticada mistura de ciência e espetáculo, arte e natureza’’, como lembra Elisa Byington.
Isso foi nos primórdios, quando seu criador Scipione Borghese (1577-1633) costumava organizar no local banquetes memoráveis regados a vinho gelado sob uma espécie de templo redondo em estilo dórico. Sobrinho do Papa Paulo V, foi promovido a cardeal com apenas 27 anos passando a acumular funções como a de chefe do governo eclesiástico, de protocolo e da política dos bens culturais.
Mas Borghese era um bom vivant. Preferia a companhia dos artistas às tramóias da corte. Byington nota que ‘‘no incrível busto de mármore que dele faria Gianlorenzo Bernini em 1632, parece mesmo que podemos ouví-lo, com a boca entreaberta e o olhar de esguelha que foge do interlocutor inventando alguma desculpa a fim de evitar uma reunião política ou problema burocrático, para sair de cena em direção aos afazeres que o apaixonavam’’.

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