Os Suspeitos é drama sobre garotas sequestradas
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Elaine Guerini<br>Agência Estado 
Toronto - Em outra edição do Oscar, sem Daniel Day-Lewis entre os candidatos ao prêmio de melhor ator, Hugh Jackman provavelmente teria sido o vencedor da estatueta pelo denso retrato de Jean Valjean, o prisioneiro condenado por roubar pão no musical "Os Miseráveis". "Com o imbatível Daniel na briga deste ano (por Lincoln), nem precisei preparar um discurso de agradecimento", disse Jackman, rindo. Talvez o australiano de 45 anos tenha mais sorte na edição de 2014 do prêmio da Academia, para a qual já desponta como um dos prováveis indicados.
Sua performance em "Os Suspeitos", que entra em cartaz hoje no Cine Com-Tour/UEL, colhe elogios desde a première do thriller na 38ª edição do Festival de Toronto. Dirigido pelo canadense Denis Villeneuve - indicado ao Oscar de filme estrangeiro por "Incêndios", em 2011 - Jackman dá humanidade a um papel ambíguo: o do pai desesperado com o desaparecimento da filha durante o feriado de Ação de Graças.
Por considerar a investigação policial morosa e ineficiente, ele mesmo decide lidar com o suposto autor do crime (Paul Dano), um rapaz mentalmente desequilibrado encontrado no local do sumiço da menina. "O que o pai faz não é correto, mas quem pode culpá-lo ao imaginar as coisas terríveis que podem acontecer com garota de cinco anos?", afirmou na mostra canadense.
Nas mãos erradas, seu personagem em "Os Suspeitos" poderia glorificar a violência, o que daria ao espectador uma desculpa para não sentir empatia por ele. Mas isso não acontece, deixando a plateia dividida e desconfortável o tempo todo.
Como pai (de duas crianças adotadas, Oscar, de 13 anos, e Ava, de 8), Hugh Jackman se colocou no lugar do personagem, imaginando a frustração de saber que ninguém estava fazendo nada. Pelo pai ser um ex-alcoólatra, ele está obcecado em controlar a sua vida. Só esperar por notícia da filha é a morte para ele.


