WILMAR KLEIN Os sons atemporais de Henry ReproduçãoPierre Henry, em 1951, no estúdio do GRM (Groupe de Recherches Musicales), que teve boa parte de sua obra relançada em CD Pioneiro de três correntes da vanguarda musical do século 20 – a música concreta, a música eletrônica e a música eletroacústica –, o compositor francês Pierre Henry continua em plena atividade, aos 72 anos, e ganha agora da gravadora pela qual lançou boa parte da sua obra – a Philips (hoje parte da poderosa Universal), merecida homenagem: o ‘‘Mix Pierre Henry’’, série de quatro caixas, cada uma com quatro CDs, que serão lançadas até o final do ano – no exterior, pelo menos, pois no Brasil os ‘‘biscoitos finos’’ da vanguarda musical, infelizmente, têm pouquíssimos apreciadores. A primeira caixa já foi colocada à venda e traz, além de um remix de ‘‘Messe pour le temps présent’’ – uma das principais obras do compositor, datada de 1967 –, a ‘‘Messe de liverpool’’ (também de 67), o ‘‘Apocalypse de Jean’’ (1968) e três peças inéditas em disco: ‘‘Tokyo 2002’’ (1998), ‘‘Une tour de Babel - L’homme au microphone’’ (1999) e uma nova versão de ‘‘Granulométrie’’ (composta originalmente em 1967). Como os DJs europeus – e os franceses, em particular – botaram na cabeça que Henry é um precursor da música descartável que eles produzem, a Philips foi na ‘‘onda’’ e providenciou capas modernosas para os CDs, vendendo o veterano vanguardista como se ele fosse Roni Size, Dimitri de Paris ou qualquer outro ‘‘picareta’’ eletrônico da moda. Compositor de formação erudita e até hoje o único sujeito que, mediante manipulação e recontextualização sonoras, conseguiu transformar o ruído de uma porta rangendo numa peça de real valor estético (‘‘Variations pour une porte et un soupir’’, de 1968), Henry paira muito acima das bobagens que fazem a cabeça dos clubbers. Razão pela qual, mais de meio século após ter iniciado a sua aventura pelos caminhos sinuosos da ‘‘música de invenção’’, as suas obras continuam instigantes e atuais. Ou melhor, atemporais, pois, como declarou o próprio Henry numa entrevista gravada em 1997 para o documentário ‘‘Modulations’’, da paranaense (radicada nos EUA) Iara Lee: a sua música ‘‘não é uma música de hoje nem de ontem’’, mas um longo e ininterrupto percurso rumo a ‘‘uma vasta ópera de novos sons, sons sem precedentes, sons que nunca foram ouvidos antes’’. Show na Área Quando do assassinato (na madrugada do dia 20 de fevereiro) do desenhista, músico e animador cultural Mário César Barbosa Ramos – personagem popular do underground curitibano –, seus amigos fizeram correr uma lista destinada a arrecadar recursos para dar-lhe um sepultamento digno. Boa parte das despesas relativas ao funeral e à vinda da família de ‘‘Marião’’ (que mora no Rio e não possui condições financeiras para bancar esses custos) foi coberta por meio dessa lista faltando, no entanto, completar o valor total do que foi gasto com o serviço funerário, antecipado mediante emissão de cheque pré-datado que, por enquanto, continua com fundos insuficientes. Para resolver a questão, acontecerá no próximo domingo, no bar Área 51 (rua Mateus Leme, 885), em Curitiba, um show beneficente com a participação das bandas Os Catalépticos, Zigurate, Ovos Presley, AAAAAMalencarada, Spank no Pleura e Orcs. O show tem início às 17h e o ingresso custa apenas R$ 2.

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