No Brasil, o resultado das bilheterias só será conhecido na próxima semana. Mas seja lá qual for, nada fará mudar a decisão executiva da 20th Century Fox. A péssima performance de ‘‘Titan’’(veja a programação de cinema na página 5) nas salas americanas desde a estréia, 16 de junho, foi o bastante para decretar o fim do sonho que o estúdio vinha alimentando há cerca de 7 anos com muito dinheiro – e por que não, também com muito talento e carinho: enfrentar a onipotente concorrência Disney. Afastado de vez um competidor, fica na parada o dedo sempre iluminado de Spielberg, que está investindo pesado no setor. Semana que vem é hora de conferir todo o potencial ‘‘animado’’ da Dreamworks , com o lançamento nacional de ‘‘O Caminho para Eldorado’’, que continua muito bem colocado no ranking contábil de Hollywood.
Dirigido por Don Bluth e Gary Goldman, veterados ex-contratados Disney – e agora também ex-contratados da Fox –, ‘‘Titan’’ é uma aventura galática ambientada no século 31, época em que os remanescentes da raça humana vagabundeiam pelo cosmo. E se você pensa que os sem-teto são um problema neste fim de milênio, preste atenção nas iniciais do título original, Titan A.E., ou ‘‘After Earth’’, ou Depois da Terra, ano 3028. Um tempo em que aqueles que sobraram deste nosso planeta incinerado são forçados a sobreviver em colônias errantes, amontoados em meio a lixo intergalático. E quem reduziu a humanidade a este estado foram os Drej, insetos alienígenas constituidos de aço inoxidável, a pior raça que habitou a ficção-científica cinematográfica nos ultimos tempos.
O herói da resistência chama-se Cale – na versão original a voz é de Matt Damon; na dublada, desconhecida – , um destemido mecânico que sem saber carrega um segredo: seu DNA é a chave para localizar a nave Titan, onde estão os protótipos genéticos necessários para recriar fauna e flora da Terra pré-apocalipse. Obviamente ao redor de Cale gravitam amigos e inimigos humanos, como Corso(voz de Bill Pullman) e a piloto Akima (Drew Barrymore), e as indefectíveis bestas siderais na linha esquisita de ‘‘Star Wars’’. Aliás, o ícone produzido por George Lucas parece ser um dos modelos de ‘‘Titan’’. Outra influência detectada é dos desenhos japoneses, com destaque para ‘‘Akira’’.
Mas acima deste argumento pairam soberanos os efeitos. Tecnicamente, o filme é uma combinação de desenho industrial, animação tradicional (o traço dos personagens) e tridimensional – os cenários de fundo. A vastidão intergalática foi obtida por um minucioso trabalho de efeitos gerados por computador. Não que isto seja novidade, bem ao contrário; o que passa a valer no segmento são as alternativas do talento para criar infinitas variações em torno de um tema. Na agitada trilha sonora, padrão MTV, batem o ponto os grupos Jamiroquai, Fun Lovin’Criminals e The Urges, entre outros.

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