Os segredos do roteiro de vinhos em Portugal
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quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Da Redação 
Muito mais que a Torre de Belém, Castelo de São Jorge e outros pontos turísticos famosos, conhecer Portugal implica em descobrir sua gastronomia e seus vinhos. O mais difícil é decidir por onde começar essa incursão: se pelo Sul ou pelo Norte. ''Por mais que eu goste de Porto e de seus vinhos, começaria por Lisboa, que está mais linda do que nunca, bem tratada, alegre e gulosa'', destaca o enólogo e jornalista Saul Galvão, que nesta quinta-feira estará em Curitiba promovendo uma degustação de vinhos portugueses para um grupo de empresários convidados da Global Telecom Empresas.
Em Lisboa, Galvão recomenda um passeio despreocupado pelas ruas do centro da cidade - Rocio, Rua da Prata, Rua do Ouro e muitas outras - para conhecer os bares populares da cidade. ''Alguns bares são ótimos, oferecem muitos presuntos e alguns pratos ligeiros, que podem ser provados no balcão, como as deliciosas codornizes no molho, que devem ser acompanhadas por uma boa taça de vinho'', indica.
E aqui vai a primeira dica para os apreciadores de um bom vinho português. O Cartaxo é um dos mais populares em Lisboa. ''É um tinto do Ribatejo, robusto, potente, mas não tânico'', explica Galvão. Além do vinho, o visitante pode aproveitar a parada no bar para experimentar a Ginja, um aguardente feito com uma espécie de cereja.
Galvão explica que Lisboa oferece opções de restaurantes para todos os paladares e qualquer orçamento. Entre os mais populares, está o João do Grão, no centro da cidade, frequentado pelos que viajam com orçamentos apertados, mas não abrem mão de um bom bacalhau.
''A propósito, os portugueses costumam acompanhar o bacalhau com vinhos tintos. Estão acostumados à essa combinação. Mas é bom escolher um tinto que não seja tânico, pois o tanino briga com peixes e, principalmente, com o sal. Para quem não abre mão de um branco, escolha um potente, envelhecido na madeira. Em Portugal, entre muitos outros, o Cova da Ursa e o Quinta de Pancas, se encaixam nessa definição'', ensina.
Quem viaja com mais disponibilidade financeira deve conhecer o Gambrinus, restaurante localizado na Rua das Portas de Santo Antão. No Gambrinus, é muito gostoso sentar junto ao balcão para conversar com os barmen, que entendem de vinhos. Um deles, o Brito, foi o segundo colocado num concurso mundial de sommmeliers, que em Portugal é chamado de escanção, por ser aquele que escande o vinho como se escandem versos. ''A carta de vinhos do Gambrinus é ótima e o Brito, que é fã dos vinhos do Dão, sempre dá boas sugestões. As enguias ensopadas e o empadão de codornizes são ótimos'', recomenda Galvão.
Para quem quer comer bem, mas não faz questão de ambientes luxuosos, há uma ótima opção que é o Tasca da Adelaide. Aliás, em Portugal, muitos são os restaurantes que valem pela comida e não pela badalação e decoração luxuosa. ''Na minha opinião, estes são os melhores'', avisa. Mas, para quem gosta dos lugares da moda, a zona do antigo porto tem boas opções, como o Alcântara Café e o Empório Lisboa.


