Os segredos da meditação
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
ReproduçãoA meditação regrada alivia as tensões e o estresseA milenar prática da meditação está ganhando terreno em todo o mundo. Agora, além de membros de religiões orientais ou esotéricos, médicos, psicólogos, profissionais de RH, esportistas, entre outros, estão descobrindo as vantagens da meditação. À medida que a mente se volta para o coração, ouvem-se murmúrios delicados. Passam a ser vivenciados aspectos mais sutis da existência.
E surge então a questão: como faço para me aprofundar?. Esta colocação está em Meditações Dirigidas, de Stephen Levine, Editora Ágora. Entre os benefícios de uma meditação regrada, o autor cita o alívio da tensão e do estresse. E diz também que as vítimas de doenças graves conseguem enfrentar a situação com mais força e harmonia.
Conforme Levine, a meditação penetra na mente para curá-la, mas prossegue até aqueles níveis profundos e universais, que só podem ser descritos pela palavra coração. E nos permite participar por inteiro de nossas vidas, em vez de vivê-las como se fossem reflexões. O autor foi o pioneiro no Ocidente no uso da meditação como meio de aprofundar os níveis de percepção.
Foi discípulo de Elizabeth Kubler, psicóloga que se especializou nas pesquisas sobre a morte. Juntamente com sua esposa, fundou a Hanuman Foundation Dying Project, na qual são atendidos doentes graves e pessoas afetadas por perdas. O casal aprimorou e criou novas técnicas de meditação e, atualmente, vive nas montanhas do Sudoeste americano praticando o que pregam no silêncio das florestas.
Jornada Sobre suas pesquisas na área da cura, Levine diz que cada um de nós nasceu para percorrer uma jornada sagrada, que é a Grande Cura. Somos pesquisadores do sagrado que não conhecemos, da verdade que resta quando toda nossa desesperada tentativa de agarrar a verdade se aquieta. Estamos mapeando as fronteiras imprecisas que separam o conhecido do desconhecido, destaca. E avançamos, tal como o fizeram Buda ou Madame Curie, superando o medo que se encontra nos portões, até atingirmos o espaço que transcende nosso conhecimento.
No livro, o professor ensina como preparar a mente e o corpo para meditar e relaciona uma série de meditações para fins diversos. Segundo afirma, para integra-se satisfatoriamente à prática diária, deve-se fazer uma coisa de cada vez. Quando estiver dirigindo, não escutar o rádio. Quando estiver escutando música, não ler ou comer. Ao comer, não assistir à televisão nem ler. Quando estiver andando, sentir o solo sob seus pés. Andar de maneira sagrada. Ao comer, sinta aquilo que come e entre por inteiro em contato com as sensações e motivação que condicionam e dirigem o processo. Vivenciar de maneira plena apenas isso, o momento tal como ele é, ensina. Para exemplificar o que diz, Levine cita uma antiga passagem de dois monges budistas:
- Eles se encontraram à beira de um rio. E logo verificaram que eram de monastérios vizinhos, e cada um mostra curiosidade quanto à natureza do mestre do outro. Um dos monges diz: Meu mestre é o maior de todos. Ele pode voar, pode caminhar sobre a água, pode ficar sem respirar por 20 minutos!.
O outro balança a cabeça lentamente e sorri, dizendo: Oh, seu mestre é de fato notável. Mas o meu é ainda mais: quando ele anda, ele apenas anda. Quando ele fala, ele apenas fala. Quando ele come, ele apenas come.
O autor acrescenta que um dos mestres tinha apenas poderes, mas o outro tinha poder. Os poderes são desejados somente por aquela parte de nosso interior que se sente impotente. Considerando o tamanho respeitável do labirinto do ego, para a maioria, os poderes são armadilhas, acredita. Milagre maior é estar presente em nossas vidas, capazes de nos abrirmos para o momento, acumulando compaixão e percepção como preciosidades.


