os rumos da tevê de alta definição
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de abril de 2010
Mauro Trindade<br> TV Press 
A televisão está numa daquelas encruzilhadas da vida. Enquanto sustenta modelos com mais de meio século de existência, como programas de auditório, noticiários e novelas, ela é cada vez mais fustigada pela presença de novas tecnologias, que estão mudando a maneira de ver e de fazer tevê. ''Vida'', do Discovery Channel, aponta para estas transformações.
O programa tem toda a boa tradição dos documentários sobre História Natural. Ou seja, uma pesquisa aprofundada, ótimos roteiros e uma paciente captação de imagens. Por isso mesmo os 10 episódios de ''Vida'' foram produzidos ao longo de quatro anos e três mil dias de filmagem. Essa maratona contou com equipamento digital de alta definição, cuja resolução de imagem é muito superior a tudo o que foi feito até então. O resultado é de cair o queixo.
A diferença é tão grande que se tornou um problema para as emissoras de todo o mundo em como veicular filmes e programas de tevê realizados com tecnologia ''obsoleta''. E há limites para a restauração e digitalização de imagens. O recente software holandês ''baselight'' - também conhecido como ''desembarangaitor tabajara'' -, por exemplo, faz uma Hebe Camargo ficar com a cara de Carla Dias. Mas, quando a imagem tratada é vista em Full HD, o rosto se transforma em mingau.
''Vida'' impõe pelas novas tecnologias - entre elas, uma ''câmera iogue'', que capta objetos com grande estabilidade, zoom e resolução - uma reflexão sobre o que vai acontecer com o que já foi produzido até hoje. Da mesma forma que atualmente é raríssimo as emissoras exibirem o material que restou dos anos 60 para trás, o mesmo pode acontecer com imagens bem mais recentes, lançadas na vala analógica. Da mesma forma que qualquer pessoa pode pesquisar jornais e revistas antigas nas boas bibliotecas, um banco de imagens de acesso gratuito e universal é prioridade. Liberdade de informação é assunto de Estado.
Enquanto a televisão se multiplica e imbrica com o cinema, o computador e os celulares, hardwares, programas e redes sociais aparecem e somem com a velocidade da luz. O CD já é praticamente peça de museu três décadas depois de surgir, e o Blu-ray também ameaça ir para o saco, como já foram o Betamax, o VHS e o ''laser disc''.
As incertezas do que pode acontecer com a memória da televisão também ocorrem com seu futuro. É uma época de enorme fluidez e de substituição de padrões e de tecnologias. Apenas o conteúdo das emissoras de sinal aberto continua inercial. Não se sabe até quando.
A série vai ao ar no Discovery, às quintas, 22h.


