No sobe-e-desce do Carnaval de rua de Londrina, a escola de samba Império da Zona Norte volta a desfilar na divisão principal. Representante solitária do Grupo B no ano passado, a agremiação planeja encarar as concorrentes de igual para igual levando para a passarela o enredo ''A Império na Biodiversidade de Nosso País''.
''Vamos falar da preservação do meio-ambiente, abordar o movimento de reciclagem de lixo, além de exaltar a fauna e a flora do Brasil'', diz Valter André, presidente da escola e diretor da bateria. Ele também é o autor do tema em parceria com Luis Carlos ''Kao'', que compôs os arranjos musicais e será um dos intérpretes ao lado de Zeca do Cavaco, Pio e Maurão.
A escola vai para a pista do Autódromo Ayrton Senna com 12 alas, 350 componentes e 63 ritmistas. Três carros alegóricos estão sendo preparados - o abre-alas, que ostenta o símbolo da escola (os leões imperiais), contará com uma escultura representando a figura de um índio e sua condição de ''protetor das matas brasileiras''.
''Estamos em conversação com caciques da tribo dos caigangues da reserva do Apucaraninha com o objetivo de convidá-los para participar do carnaval. Será a principal atração de nosso desfile'', conta André. Outro trunfo da escola é o mestre-sala Hélio de Lima, o ''Pinduca'', personagem legendário da folia londrinense com três décadas de participação nos desfiles da cidade.
Morador do conjunto Luiz de Sá, Pinduca atuou uma única vez como passista para nos anos seguintes descer a avenida sempre como mestre-sala. ''Ele passou por quase todas as escolas de Londrina incluindo a Quilombo dos Palmares e outras já extintas como Chão de Estrelas, Navegantes do Mar Azul, Bahia Abraça Londrina, Unidos de Santa Terezinha e Bafo da Jibóia. Desde 2002, ele desfila pela Império'', informa André. Formando o par com o mestre, a porta-bandeira será mais uma vez Fabiana Roque Nogueira.
O presidente está confiante no apoio da torcida para empolgar os componentes da escola. ''Somos os únicos representantes da Região Norte no Grupo A. Acredito que teremos um grande público de nosso lado nas arquibancadas'', assinala. O otimismo vem contrabalançado por problemas ''de caixa''. Segundo ele, a menos de três semanas do desfile, a Prefeitura ainda não repassou as verbas destinadas anualmente para as escolas de samba.
''Isso dá muita dor de cabeça porque, sem esses recursos, fica difícil pagar os transportes, a manutenção da bateria e os materiais que não encontramos por aqui e que precisam ser comprados nos grandes centros'', lamentou na última quarta-feira. Em razão da espera do dinheiro público, todas as atividades programadas pela agremiação sofreram atraso.
Ontem, a Prefeitura anunciou o repasse de R$ 300 mil à Liga Londrinense das Escolas de Samba. Cada escola do Grupo A do carnaval receberá cerca de R$ 30 mil, dos quais uma parte será entregue até o final desta semana e a outra metade será depositada à Liga após os desfiles, como pagamento de cachê das apresentações.
Segundo André, o carnaval desse ano seja o último ainda pontuado por transtornos decorrentes da dependência dos poderes públicos. É que brevemente a escola já terá uma sede própria para trabalhar e desenvolver projetos que lhe garantam alguma autonomia financeira. O local, um terreno de 200 metros quadrados com quadra de esporte e campo de futebol, foi cedido pela Prefeitura em regime de permissão de uso.
O projeto de ocupação foi aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado em outubro último pelo Executivo Municipal. O espaço abrigou a Associação de Moradores do Conjunto Violin, que faliu e cujas dívidas estão sendo quitadas pela escola de samba. De acordo com André, até agora só houve tempo para pagar as contas. Só depois do carnaval é que será iniciada a reforma do lugar.
A intenção é ocupar o salão para realizar eventos e executar projetos sociais, além de sua utilização como ateliê permanente para as atividades ligadas ao carnaval. ''A ideia é que a escola seja a gestora do local, mas que ele seja aberto para todos os moradores do bairro através de um conselho comunitário atuante. Faço um apelo à população para que apóie a iniciativa doando material para a reforma. Precisamos de vidro, areia, tudo enfim, para mexer na estrutura do imóvel. A mão-de-obra nós já temos'', diz.
Enquanto planeja as etapas da reforma da futura sede, André sonha em fazer bonito no próximo dia 22, dia em que vai vestir a camisa da Império contra as rivais Garotos Unidos da Zona Sul, Gaviões Londrinenses e Explode Coração. Pelo cronograma, será a primeira a entrar na passarela. Um grande ensaio geral está previsto para o próximo domingo no Ginásio de Esportes do Conjunto Maria Cecília.

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