Aos oito anos de idade, Paulo da Silva resolveu desenhar. O garoto passava muito tempo observando os quadrinhos dos gibis do Tarzan, que ele adorava. Mas o desenho se revelou uma dificuldade: fazer os contornos e inserir um contexto nos quadrinhos não era tarefa das mais fáceis. Aos poucos, os rabiscos foram substituídos por uma bola de futebol.
O rapaz passou a jogar, e pensou até em seguir carreira de artilheiro, mas os quadrinhos não lhe saíam da cabeça. Até que um dia um colega lhe pediu que desenhasse uma cobra naja. Risco vai, risco vem, e nada do grafite delinear a cobra. O tempo passou e a borracha diminuiu, até que Paulo da Silva apresentou vitorioso o desenho ao companheiro.
O futebol ficou para trás. O rapaz permanecia em casa, tentando desenhar sua nova obsessão: o apresentador Cid Moreira, que durante décadas leu as manchetes do ‘‘Jornal Nacional’’. ‘‘Eu tentava todo dia, comecei a me esforçar e fui me tornando desenhista em função da televisão’’, explica Paulo da Silva.
Aos poucos, o traço foi afinando e a mão ficou mais firme. Os desenhos de Paulo se transformaram em personagens. Observando um elefante utilizado em comerciais de massa de tomate, o rapaz começou a procurar um personagem que tivesse um efeito parecido, uma empatia similar que pudesse ser utilizado no marketing de algum produto. Foi assim que surgiu o Pelicano, em 1995.
Alguns anos antes, Paulo já havia criado o Trolyn Day, personagem que, junto com o Pelicano, refletem o pensamento do autor. ‘‘O Pelicano sou eu mesmo, assim como meus outros personagens. Eles herdaram minhas idéias, e também são fãs do Charles Chaplin, como eu’’, revela.
Com os personagens elaborados, o rapaz partiu atrás de conselhos, e resolveu escrever uma carta para Victor Civita, proprietário de uma grande editora brasileira, hoje falecido. O editor respondeu a carta sugerindo que Paulo desenhasse tiras para o jornal de sua cidade, Cornélio Procópio. Assim que o personagem fosse relativamente conhecido, ele poderia pensar em fazer uma revista em quadrinhos.
Os conselhos foram acatados, e hoje Paulo da Silva procura um órgão que veicule seu trabalho. Enquanto não consegue se manter financeiramente, Paulo da Silva se vira trabalhando como servente de pedreiro, fazendo cartazes para escolas ou riscando telas para outros artistas. ‘‘O desenho está na minha alma, não preciso de diploma para fazê-lo. Eu posso perder tudo o que tenho, mas minha arte eu não perco’’, avisa o autor.

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