O Natal mostra suas cores com antecedência. Começaram a chegar na sede da Universidade Livre do Artesanato e Cultura Popular (Uniart) os primeiros presépios do 7º Concurso Internacional de Presépios Natalinos. Justificando o caráter internacional, do lote que chegou até agora apenas um é brasileiro (curitibano). Os demais são de países latinos. Da cidade de Brienz, na Suíça, foi enviado um fax com reproduções de um trabalho que também está a caminho.
As inscrições para o certame se encerram dia 11 de novembro. Os candidatos podem concorrer em duas categorias - presépios e minipresépios - cujos prêmios, em dinheiro, totalizam R$ 25 mil. Nestes sete anos o concurso ganhou, além do status internacional, tradição.
Promovido pela Secretaria de Estado da Criança, através da Uniart, recebe a cada edição centenas de trabalhos com materiais os mais diversificados possíveis. O barro predomina nas primeiras obras que estão na Uniart, mas também os produzidos com madeira e pedras.
O concurso transcende a premiações e ao caráter de evento natalício, como pode parecer à primeira vista. Ele traz em seu bojo o resgate cultural e espiritual, segundo observa Arcioli Antonio Martins de Oliveira, gerente do Programa do Artesanato Paranaense.
‘‘As pessoas estavam voltadas ao consumo e não ao nascimento de Jesus. À medida que desperta nelas o interesse em confeccionar presépios, há também uma ampliação cultural’’, avalia. Isto porque o trabalho só é desenvolvido depois de uma pesquisa sobre a matéria-prima a ser utilizada.
A representação do nascimento de Cristo, apesar do tom religioso, passa por outras áreas, entre elas a social. Ano passado um dos impactos da exposição foi a escultura feita numa bala de revólver, atada por duas fitas. Uma verde-amarela e outra, branca, que trazia inscrita a mensagem ‘‘Desarma, Brasil’’.
Para Martins de Oliveira, o presépio imprime santidade e humanidade. A face dos povos aparece nos personagens que veneram o Menino. Um oratório peruano, dividido em dois planos, traz na parte superior a cena do nascimento de Cristo e na inferior camponeses com roupas típicas, numa reunião festiva. Alguns, inclusive, tocam violão. Um detalhe: a parede é repleta de chapéus.

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