Os prazeres do banquete
A tradição de marcar os momentos importantes ao redor de uma mesa farta e variada é milenar. Daí o termo comemorar, onde o alimentar-se não é um simples ato de sobrevivência mas uma ocasião de alegria, fora do dia-a-dia, em um encontro festivo com a família e amigos. Das refeições comunitárias dos homens das cavernas - festejando ao redor do fogo o sucesso da caçada - às grandes festas atuais, o banquete trouxe, ao longo dos séculos, a conotação de vitória, de felicidade e, até, solenidade.
Mas, o que é um banquete? Segundo o dicionário Aurélio, o banquete é uma refeição formal e solene, em que participam muitos convidados. Porém, o dicionário traz também uma segunda definição que diz que pode ser qualquer refeição lauta e festiva, independente do número de convidados.
A segunda definição agrada mais a nutricionista e banqueteira Adriana Carioba, 27 anos, paulistana residente em Londrina. Para ela - que há quatro anos vem conquistado o paladar dos londrinenses com combinações novas e surpreendentes de ingredientes e sabores - o banquete deveria ser sempre uma festa harmoniosa, onde a simplicidade e o estilo fossem os pontos fortes e a formalidade não existisse.
Mario CesarElaborado cuidadosamente, um único prato pode ser banquete para os olhos e o paladarSegundo Adriana, o banquete pressupõe uma grande quantidade de comida para servir uma grande quantidade de gente. Logicamente, quando há muitos convidados, não dá para fazer um único tipo de prato que satisfaça o paladar de todos. Então é preciso fazer pelo menos cinco tipos: uma salada, um peixe, uma carne, uma massa e um risoto, por exemplo. É preciso agradar a gregos e troianos, afirma.
Porém, segundo ela, nada impede que se faça um banquete para poucas pessoas. É possível servir até para duas pessoas, diz. Aliás, para ela, quando são poucos os convidados, o banquete pode ser ainda melhor. Neste caso, você personaliza ainda mais a refeição, porque conhece exatamente os gostos de cada convidado, explica. Para ela, jantares para poucas pessoas têm um charme extra. Outro dia, uma cliente me pediu para fazer um jantar com dois pratos: uma salada e uma massa. Achei chiquérrimo em sua simplicidade. Principalmente porque você pode caprichar ainda mais, faz A salada e A massa, conta.
Para Adriana, no entanto, o principal neste assunto é a quantidade de comida ou convidados, e sim, a qualidade e o requinte de cada prato. Afinal, a própria palavra remete a ocasiões especiais e, portanto, comidas especiais. Você não vai servir coisas que se come todo dia, analisa.
Um cuidado, porém, não deve deixar de ser tomado, segundo a banqueteira. Não se pode repetir sabores. Se serviu um canapé à base de queijo roquefort, por exemplo, não deve usá-lo novamente em outros pratos. Se jogou com o agridoce na entrada, não pode repeti-lo no prato principal, afirma.
Para ela, outra coisa que deve se levar em conta para ter um banquete bem-sucedido é o estilo no qual vai ser servido. Entre os três estilos mais usuais, à americana, à francesa e à inglesa, eu sempre sugiro o americano, onde as comidas ficam em cima de um aparador e as pessoas se servem. Isto torna a festa mais divertida, sem aquela formalidade dos dois outros, onde os convidados têm que ficar sentados esperando que o garçom os sirva. Nestes, as pessoas não podem se levantar para paquerar, conversar com um amigo que está do outro lado da sala, nem fofocar com as amigas. Para Adriana, é sempre preferível a simplicidade com estilo.ReproduçãoQuando a ocasião é festiva, nada melhor do que reunir pessoas em volta de uma mesa farta, onde cabe estilo além de comidas saborosasTelma Elorza





