Os prazeres de Porto Alegre
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Lygia Rebello<br> Agência Estado 
São Paulo Em sétimo lugar no ranking das cidades brasileiras que mais receberam estrangeiros em 2000 e 2001, Porto Alegre não revela suas belezas e atrativos à primeira vista. Para saber o que tanto atrai gringos das mais variadas partes do mundo, além dos negócios e do Mercosul, é preciso desvendar aos poucos essa cidade que ainda guarda um quê de provinciana.
Somente pelos títulos que já recebeu dá para sentir que boa coisa ela deve ter (e tem) a oferecer. A capital do Rio Grande do Sul é a cidade mais arborizada do Brasil e é a metrópole número um em qualidade de vida no País, segundo a ONU.
Basta andar pela cidade para confirmar o valor desses prêmios: além da vasta variedade de programas culturais e gastronômicos, Porto Alegre está rodeada por áreas verdes (554 praças e novos parques) e pelas águas do Delta do Rio Jacuí e do Guaíba, palco do famoso pôr-do-sol porto-alegrense.
Mas a capital gaúcha é mais que isso. Comece pelo centro histórico, que pode ser conhecido em algumas horas, pois os pontos turísticos ficam bem próximos.
A visita ao Mercado Público Central vale pela arquitetura do prédio e para ficar por dentro das especiarias regionais. Há uma infinidade de ervas destaque para a erva-mate usada no chimarrão , artigos religiosos, artesanatos e restaurantes.
Antes de se embrenhar no centro da cidade, ''fuja'' pela Avenida Júlio de Castilhos até a Casa do Artesão. O nome já diz tudo. Lá, há todo tipo de artesanato. Os mais típicos estão no bolicho (nome de vendinhas das antigas fazendas). Objetos de chifre e prata, tapetes e malhas de lã, trabalhos com madeira e couro, e as cuias para o chimarrão são vendidos a preços acessíveis.
De volta ao núcleo central, vá direto à Praça da Alfândega, onde ficam o Santander Cultural, o Memorial do Rio Grande do Sul e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), todos em prédios históricos de arquitetura imponente. Perfeito para programas culturais sem gastar um centavo.
Localizado na antiga sede do Banco Nacional do Comércio, o Santander Cultural tem salas de cinema, de exposições e de espetáculos musicais. No subsolo, fica o tesouro do lugar: o Museu da Moeda.
Enquanto caminha pelo corredor, o visitante conhece as mais de 5 mil peças do acervo. Entre carimbos, cofres e outros acessórios de antigas agências bancárias, estão moedas e cédulas que contam a história do Brasil. Há desde a moeda de ouro Papo de Tucano, de 1851, até uma folha de cheque do Banco Nacional do Comércio assinada por Getúlio Vargas, em 1923.
Ao lado, fica o Memorial do Rio Grande do Sul. Ali, dá para passar uma tarde inteira conhecendo um pouco mais do Estado. Nas paredes, uma linha do tempo da Pré-História até hoje. Nas colunas, textos e fotos que ilustram a vida de personalidades gaúchas como Getúlio Vargas e Elis Regina. Do outro lado da Praça da Alfândega, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul reúne obras de artistas mundiais.
Outra praça concorrida quando o assunto é cultura e turismo é a da Matriz. É o centro do governo do Rio Grande do Sul e é lá que fica a enorme Catedral Metropolitana e o Theatro São Pedro. A um quarteirão dali, o Museu Júlio de Castilhos, montado na prédio que foi casa do líder político no século 19, vale pelas pequenas curiosidades à mostra, como a lambreta de José Ferreira da Silva que, na década de 60, conheceu 50 países sobre uma moto.
Se você seguir à risca esse roteiro e, se depois de andar o dia todo, ainda restar energia vá andando rumo ao Centro Cultural Usina do Gasômetro. Assim, você deve chegar à beira do Guaíba na hora certa para fechar o dia com chave de ouro: o pôr-do-sol. Prepare a máquina fotográfica e registre o seu cartão-postal de Porto Alegre.


