Os Pholhas estão de volta
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quarta-feira, 11 de março de 1998
Mera Teixeira Agência Estado 
Os quatro rapazes que fizeram sucesso na década de 70, com as canções My Mistake, She Made Me Cry e Forever - além da perfeição como covers dos Beatles - estão com novo disco pela Laser Records. Na discografia dos Pholhas, primeira banda brasileira a compor e cantar em inglês, somam 14 LPs, 14 compactos e três CDs.
Ao comemorar 26 anos de carreira, em dezembro, o álbum do grupo ganhou o título de Pholhas Forever. Canções da década de 60 e 70, como Bus Stop, Reflections Of My Life, Proud Mary, Smoke Gets In Your Eyes, Stormy, Blue Suede Shoes, Its Too Late, All In Love Is Fair, In My Way e Unchained Melody receberam novos arranjos.
Hélio Santisteban (teclados e vocais), João Alberto (baixo e vocais) Paulo Fernandes (bateria, percussão e vocais) e Wagner Bitão Benatti (guitarras, violões e vocais) ainda são capazes de passar por um grupo americano como nos anos 70. Mas, eles fazem questão de suas identidades brasileiras, principalmente agora com esse CD, que pretendem conquistar a nova geração. Nesse disco, mostramos todo nosso potencial de vocais. Além do nosso público cativo, a gente quer mostrar esse trabalho também à juventude, diz Bitão (o nome é uma referência aos Beatles).
No final de 96, eles lançaram a coletânea Pholhas 25 anos, que está a caminho do sétimo disco de ouro da carreira do grupo. Outra coletânea que vende bem até hoje é Pholhas - Disco de Ouro, lançada em 77. Já não tiveram a mesma sorte com Côrte Sem Lei, em 88, cantado em português. Não houve muita repercussão porque nosso público está acostumado com a gente cantando em inglês, avalia Bitão. Só que eles não desistem de fazer seus fãs se acostumarem com inovações. A gente pretende gravar em português ainda este ano para conquistar um espaço maior em nossa própria terra, diz o guitarrista. E quem sabe, ouvir suas músicas nas trilhas sonoras de novelas como a versão de Moonlight Serenade, em Ciranda de Pedra, em 81.
Para a banda preferida dos bailes, cantar em inglês para a geração anos 70, tinha como objetivo, internacionalizar mais suas próprias canções. Na época em que iniciamos a carreira, a música brasileira não tinha a força que tem hoje. Foi o motivo que começamos a cantar em inglês, mesmo porque, isso era chique, lembra Bitão.
Eles até viveram o glamour da Jovem Guarda, ditando moda e sendo cortejados pelas fãs, por onde andavam. Elas nos cercavam nas ruas, no cinema e onde pisássemos, recorda. A Espanha e toda a América do Sul também conheceram seu sucesso de perto com o lançamento por lá do disco Hojas, em 75.
Com a moda das discotecas no final da década de 70, o quarteto viu-se um pouco perdido no meio da nova onda mundial com a música mecânica, e deu um tempo nas novas composições. Mesmo não gravando, seus shows continuaram, principalmente no Norte, Nordeste e América do Sul. O que essa turma quer é cantar nos grandes centros. Pretendemos conquistar um espaço maior no mercado, porque tem para todos, espera Bitão.
Todos estão na faixa dos 45 anos e já têm outras profissões. Hélio é maestro/arranjador, faz trilhas sonoras e possui uma empresa de eventos. João Alberto é industrial, Paulo é engenheiro e Bitão é arquiteto. Dois deles passaram a herança musical para a segunda geração. Paulo é pai de Fredy, que aos 25 anos, está montando uma banda, na função de baterista. João Alberto tem um filho baixista como ele: Harley, de 25 anos, toca no grupo de rock Mama Monstro. De uma coisa os Pholhas não perderam o costume: até hoje, encerram os shows com canções dos Beatles.


