OS PESOS PESADOS DA FOLIA
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
A Avenida Paraná se fez toda em barraquinhas e carros alegóricos decorados com tecidos, flores e papelão coloridos no primeiro desfile de Carnaval da cidade, quando ainda eram poucos os foliões que arriscavam passos na rua do samba. Isso foi em 1950. Londrina elegia o primeiro Rei Momo da cidade, o português Carlos Bivar, e a Rainha do Carnaval, Hortência Amélia. Depois vieram os blocos, as escolas de samba e outros monarcas que prosseguiram com a dinastia da folia londrinense. Nomes como Edmilson Montenegro, Armando Brancalhão, Alberto Perrone, Jorge Balalai e o mais famoso Rei Momo da cidade até hoje, Geraldo Júlio, o irreverente Dinho, falecido em 1987.
As majestades continuam reinando absolutas. Nos últimos 10 anos, Londrina foi governada por quatro reis da alegria: Jorge Balalai, Ricardo Queirollo, o palhaço Picolino, José Pedro Linhares e o superatleta Júlio César Henriques Augusto ou Julius Augustus I. Em 2001, o reinado de Momo tem uma nova majestade, Ricardo Prochet, que derrubou outros dois concorrentes na balança, em pleno Calçadão, no último sábado.
Com 128 quilos e 1,80 metro, o consultor de empresas, professor universitário e colunista da Folha Ricardo Prochet, 41 anos, deu uma folga às suas atividades profissionais para assumir o comando de Londrina a partir de amanhã, quando às 20h30 recebe as chaves da cidade das mãos do prefeito Nedson Micheleti. Mas Sua Majestade como faz questão de frisar já está convocando seus súditos. Desde que ganhou o concurso, Prochet não parou mais. Faz propaganda do Carnaval, vende ingressos, camarotes e espalha uma contagiante energia à população londrinense.
Resolvi concorrer por três motivos: meu tamanho, minha alegria topo todas as paradas, me envolvo mesmo e o fato de que, este ano, o Carnaval de Londrina está sendo realizado sem gasto de dinheiro público. Isso requer a participação da sociedade, analisa. É o primeiro passo para a profissionalização do Carnaval. No Rio de Janeiro, a festa começou pequena. Em Londrina também pode começar assim. Temos que colocar a elite no Carnaval, porque é o momento do povo se misturar. Tudo num bloco só, pela alegria.
Nascido no Rio de Janeiro, Ricardo Prochet intitula-se meio carioca, meio pé vermelho, já que mudou-se para Londrina aos seis meses de idade. Na juventude, passou 18 anos no Rio e em 1997 retornou ao Paraná. Folião de alto nível, como gosta de dizer, já desfilou pelas escolas de samba Beija-Flor e Estácio de Sá. Samba no pé é com ele mesmo. E é isso que o Momo quer mostrar neste Carnaval. Ele pretende percorrer todos os clubes da cidade, além de desfilar nos blocos e nas cinco escolas de samba no Autódromo Ayrton Senna. O pessoal vai ter trabalho comigo. Vou sair de uma escola, dar a volta no autódromo e entrar em outra. Quero promover a alegria!. Para aguentar o pique, nada melhor que uma boa dieta: muito macarrão e guaraná diet para manter o corpinho.
Casado e pai de três filhos, Ricardo Prochet assume que nasceu gordinho. Fiz regime a vida inteira, mas sou de uma família peso pesado. Tenho três guarda-roupas e nunca me desfaço de nada, brinca. Agora meu peso ficou público. A silhueta de Prochet também proporciona outras habilidades: em épocas variadas do ano, ele torna-se Papai Noel e até noiva de festa junina.
O decreto do Rei Momo para este Carnaval é um só: alegria. Vamos banir a tristeza dos arredores de Londrina, anuncia. O povo tem sofrido por causa da corrupção, dos desfalques dos cofres públicos e agora merece se divertir.


