A Avenida Paraná se fez toda em barraquinhas e carros alegóricos decorados com tecidos, flores e papelão coloridos no primeiro desfile de Carnaval da cidade, quando ainda eram poucos os foliões que arriscavam passos na rua do samba. Isso foi em 1950. Londrina elegia o primeiro Rei Momo da cidade, o português Carlos Bivar, e a Rainha do Carnaval, Hortência Amélia. Depois vieram os blocos, as escolas de samba e outros monarcas que prosseguiram com a dinastia da folia londrinense. Nomes como Edmilson Montenegro, Armando Brancalhão, Alberto Perrone, Jorge Balalai e o mais famoso Rei Momo da cidade até hoje, Geraldo Júlio, o irreverente Dinho, falecido em 1987.
As majestades continuam reinando absolutas. Nos últimos 10 anos, Londrina foi governada por quatro reis da alegria: Jorge Balalai, Ricardo Queirollo, o palhaço Picolino, José Pedro Linhares e o superatleta Júlio César Henriques Augusto ou Julius Augustus I. Em 2001, o reinado de Momo tem uma nova majestade, Ricardo Prochet, que derrubou outros dois concorrentes na balança, em pleno Calçadão, no último sábado.
Com 128 quilos e 1,80 metro, o consultor de empresas, professor universitário e colunista da Folha Ricardo Prochet, 41 anos, deu uma folga às suas atividades profissionais para assumir o comando de Londrina a partir de amanhã, quando às 20h30 recebe as chaves da cidade das mãos do prefeito Nedson Micheleti. Mas Sua Majestade – como faz questão de frisar – já está convocando seus súditos. Desde que ganhou o concurso, Prochet não parou mais. Faz propaganda do Carnaval, vende ingressos, camarotes e espalha uma contagiante energia à população londrinense.
‘‘Resolvi concorrer por três motivos: meu tamanho, minha alegria – topo todas as paradas, me envolvo mesmo – e o fato de que, este ano, o Carnaval de Londrina está sendo realizado sem gasto de dinheiro público. Isso requer a participação da sociedade’’, analisa. ‘‘É o primeiro passo para a profissionalização do Carnaval. No Rio de Janeiro, a festa começou pequena. Em Londrina também pode começar assim. Temos que colocar a elite no Carnaval, porque é o momento do povo se misturar. Tudo num bloco só, pela alegria’’.
Nascido no Rio de Janeiro, Ricardo Prochet intitula-se meio carioca, meio pé vermelho, já que mudou-se para Londrina aos seis meses de idade. Na juventude, passou 18 anos no Rio e em 1997 retornou ao Paraná. Folião de alto nível, como gosta de dizer, já desfilou pelas escolas de samba Beija-Flor e Estácio de Sá. Samba no pé é com ele mesmo. E é isso que o Momo quer mostrar neste Carnaval. Ele pretende percorrer todos os clubes da cidade, além de desfilar nos blocos e nas cinco escolas de samba no Autódromo Ayrton Senna. ‘‘O pessoal vai ter trabalho comigo. Vou sair de uma escola, dar a volta no autódromo e entrar em outra. Quero promover a alegria!’’. Para aguentar o pique, nada melhor que uma boa dieta: muito macarrão e guaraná diet ‘‘para manter o corpinho’’.
Casado e pai de três filhos, Ricardo Prochet assume que nasceu gordinho. ‘‘Fiz regime a vida inteira, mas sou de uma família peso pesado. Tenho três guarda-roupas e nunca me desfaço de nada’’, brinca. ‘‘Agora meu peso ficou público’’. A silhueta de Prochet também proporciona outras habilidades: em épocas variadas do ano, ele torna-se Papai Noel e até noiva de festa junina.
O decreto do Rei Momo para este Carnaval é um só: alegria. ‘‘Vamos banir a tristeza dos arredores de Londrina’’, anuncia. ‘‘O povo tem sofrido por causa da corrupção, dos desfalques dos cofres públicos e agora merece se divertir’’.

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