Eles não são os reis do cinema. Os reis, nós sabemos, se chamam Hitchcock, Welles, Chaplin, Bergman, Eisenstein e outros. Isso sem esquecer, evidentemente, de Henry King. Os pequenos-príncipes são cineastas não por acaso ‘‘menores’’, cuja obra é olhada por muitos como de menor importância. Entretanto, perpassa de ponta a ponta na obra destes cineastas um certo frescor inigualável, uma deliciosa ingenuidade nem sempre encontrável nos cineastas-reis.
Não por acaso, os cineastas príncipes são ‘‘infantis’’, cujos filmes refletem uma espécie de candura que, geralmente, se atribui às crianças. E, também sintomaticamente, os ‘‘cobras’’ da cultura cinematográfica nã vêem com bons olhos estes cineastas-juvenis. E hoje em dia, quando o cinema está sofrendo de um sério vírus de pretensão e intelectualismo, a obra destes cineastas é duplamente valiosa e/ou preciosa, pois os cineastas príncipes dificilmente cometem o pecado (mortal, segundo Andrew Sarris) da pretensão, como Kubrick ou Schlesinger.
Pelo contrário: existe nestes cineastas uma saborosa dose de despretensão e displiscência para os aspectos ‘‘sérios’’ e ‘‘profundos’’ da ‘‘Sétima Arte’’. E se, muitas vezes, eles cometem pecaditos como os da futilidade e puerilidade, por outro lado apresentam virtudes certas e/ou irrefutáveis como a simplicidade e a sobriedade. E mais: não é raro se encontrar nos pequenos-príncipes do cinema, um certo senso de sofisticação extremamente elaborado e nem sempre encontrável nos cineastas-reis ou ‘‘adultos’’. Talvez resida aí o segredo do ‘‘glamour’’ dos pequenos-príncipes abaixo relacionados:
1 - Stanley Donen (Indiscreta) / 2 - Charles Walters (A Bela de Nova York) / 3 - Richard Quine (O Nono Mandamento) / 4 - Blake Edwards (Bonequinha de Luxo) / 5 - Joshua Logan (Nunca Fui Santa) / 6 - George Sidney (Quem Era Aquela Pequena?) /7 - Douglas Sirk (Palavras ao Vento).ReproduçãoCena do filme ‘‘Indiscreta’’, de Stanley DonenLélio Sotto Maior Junior

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