Arquivo FolhaUm peão pode ganhar até R$ 60 mil num só rodeio, mas para a maioria dos peões brasileiros, o ganho não passa de R$ 1.500 por mêsA Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, a ser realizada de 22 a 31 de agosto, tem tudo para ser a melhor, em seus 42 anos de história. O evento entrou para o circuito country mundial (o Professional Bull Riders) e, pela primeira vez, o público terá à sua disposição um telão instalado no estádio para a projeção de vídeos com explicações sobre os peões, as características dos cavalos ou touros e os critérios para a pontuação nos oito segundos de duração da prova.
Os organizadores esperam a presença de pelo menos um milhão de turistas não só do Brasil mas também de outros países. Para atender a todos foi reforçada a infra-estrutura da cidade e a rodovia que leva ao Parque do Peão acaba de ser ampliada. Além das provas que dão aos concorrentes a segunda maior premiação do mundo (230 mil reais ao todo, perdendo apenas para a final do circuito, em Las Vegas), foram programados muitos shows e festas. No dia 22, os grupos Skank, Banda Eva e Só Pra Contrariar estarão se apresentando, com ingressos a R$ 10,00 cada. No dia seguinte, as duplas Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo e Zezé Di Camargo e Luciano apresentarão o show ‘‘Amigos’’, também com ingressos a dez reais.
Um dos destaques das provas é o peão brasileiro Adriano Moraes, de 27 anos, que faturou mais de 500 mil dólares em prêmios nos últimos três anos, nos Estados Unidos, mas nunca conseguiu vencer em Barretos. Seus maiores adversários deverão ser os também brasileiros Fabrício Alves, Rogério Ferreira e Edson Avelino e os americanos Owen Washburn e Tuff Redman.
O chão é o limite O Parque do Peão, projetado por Oscar Niemeyer, tem 50 alqueires e pode abrigar 35 mil pessoas em seu estádio, o maior do mundo no gênero. Abriga, ainda, a danceteria Rancho nº 1 e tem estacionamento para 12 mil carros e 500 ônibus, área de camping, 500 sanitários, torre de telefonia celular fixa, bancos 24 horas, churrascarias e restaurantes ‘‘fast food’’, além de barracas em que se vendem botas, chapéus, cintos, calças, chicotes, arreios e berrantes.
O público se diverte muito com a narração dos locutores. Enquanto os candidatos vão caindo, em meio aos gritos de ‘‘seguuuuuura, peão’’, o locutor lembra de vez em quando que ‘‘o chão é o limite’’ para os caubóis. Um peão pode ganhar até R$ 60 mil num só rodeio. Para a maioria dos peões brasileiros, porém, não passa de R$ 1.500 por mês, nos inúmeros eventos promovidos por todo o País (há 1.200 rodeios cadastrados no Brasil).
Boa parte das competições tem carros como prêmios. Com isso, um dos campeões, Rogério Ferreira dos Santos 24 anos, já passou dos 30 carros. Também há mulheres que participam das provas - são as ‘‘cowgirls’’ que, em média, ganham de R$ 50 a R$ 100 por montaria.
Um locutor de peão ganha cerca de R$ 1 mil por rodeio, mas os mais famosos, como Asa Branca, chegam a receber até R$ 15 ou R$ 20 mil num só evento. Narrar um rodeio não é tão fácil como parece e exige uma certa criatividade para não deixar o clima ficar monótono entre uma e outra prova. ‘‘Se corvo fosse avião, mulher feia fosse navio, eu voava com os pés no chão e nadava fora do rio’’, declama o locutor Luciano Moraes, que também gosta de filosofar: ‘‘O touro e a mulher são dois bichos parecidos; o touro chifra o caubói e a mulher chifra o marido’’.

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